Cidades
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Indígenas voltam a protestar contra usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará
Indígenas voltam a protestar contra usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará
Segundo essas entidades, a obra é desnecessária e de alto custo; gera grande passivo ambiental; trará impactos sociais e as populações supostamente mais afetadas como os indígenas, ribeirinhos e pequenos agricultores não são ouvidas pelo governo federal nem pelos empreendedores da obra. ?É a mesma coisa que fizeram com Tucuruí?, disse a índia Sheyla Yakarepi Juruna, da comunidade Aldeia Boa Vista, em Vitória do Xingu (PA), fazendo referência à hidrelétrica construída durante a ditadura militar (1964-1985)
A índia teme que a obra gere impactos sociais como o aumento da prostituição na região e até mesmo da exploração sexual de crianças e adolescentes, como estaria ocorrendo nas proximidades das obras de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira (RO).
?Eles vão fazer um canal do Panamá aqui dentro?, comparou Claudemir Monteiro, da coordenação do Cimi no Pará e Amapá. ?Não adianta gerar energia limpa com a destruição da floresta?, criticou o indigenista, ao dizer que a obra está saindo ?por capricho do [presidente] Lula?. Claudemir avaliou que Belo Monte é um ?projeto emblemático? e depois dele outras obras de grande impacto ambiental se seguirão.
Adriana Ramos, do Instituto Socioambiental (ISA), espera que, nas futuras obras na Amazônia, o governo ?reveja suas práticas?, e faça novas usinas e qualquer outro empreendimento ?com planejamento e consulta?, reclamou. Segundo ela, o licenciamento ambiental da obra ?foi político? e imposto.
Adriana Ramos lembrou que ainda estão pedentes para a construção de Belo Monte as medidas compensatórias para as populações afetadas e o problema de redução de diminuição da vazão e perda da qualidade da água. Segundo ela, ?os indígenas estão insatisfeitos, porque o processo de instalação não os levou em conta. A Funai [Fundação Nacional do Índio] autorizou a obra sem fazer consulta aos índios?, afirmou.
A Agência Brasil também ouviu a concessionária da hidrelétrica, a Norte Energia S.A. Segundo o diretor sócioambiental da empresa, Antônio Coimbra, ?nenhuma terra indígena será inundada. Não haverá um metro quadrado inundado?, garantiu. Conforme o executivo, Belo Monte terá uma das melhores relações entre o tamanho da área alegada e a quantidade de energia gerada: 23 megawatts por km², abaixo apenas da hidrelétrica de Xingó, no Rio São Francisco (AL e SE), para a qual a relação é de 50 megawatts por km².
Na sua opinião, ?o país não pode abrir mão da energia limpa e renovável das hidrelétricas, e o maior potencial está na Amazônia?. Antônio Coimbra contabilizou que o Brasil tem no total um potencial de 260 gigawatts (hidrelétricas em funcionamento e obras futuras) e que quase a metade desse potencial está na região amazônica (115 gigawatts). De acordo com o diretor da Norte Energia S.A, apenas 6% do potencial hidrelétrico da Amazônia está sem operação.
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