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Filho de iraniana condenada à morte pede ajuda da ONU

Filho de iraniana condenada à morte pede ajuda da ONU

Redação

13/08/2010 - 09h00
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        Um dos filhos da iraniana Sakineh Mohammadi-Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento pelo crime de adultério, divulgou ontem (12) uma carta endereçada às Nações Unidas (ONU), solicitando a ajuda do organismo internacional no caso.

        

        

        "Pedimos à ONU que se envolva neste caso, que uma comissão neutra internacional seja enviada ao Irã para analisar todas essas questões", disse o jovem Sajjad, de 22 anos.

        

        Na carta, o filho de Sakineh diz que "há cinco anos tem pesadelos com sua mãe sendo apedrejada" e que tem certeza de sua inocência.

        

        "Temos recorrido à comunidade internacional e às pessoas em todo o mundo que queiram nos ajudar", diz Sajjad.

        

        A condenação de Sakineh vem provocando comoção na comunidade internacional, com pedidos para que o Irã reveja a punição, originalmente pela acusação de adultério.

        

        A previsão incial era de que tanto a sentença final como a execução da pena ocorreriam ainda nesta semana.

        

        'Confissão'

        

        Na noite desta quarta-feira, a TV estatal iraniana levou ao ar uma suposta entrevista com Sakineh, em que a iranina admite ter conspirado para matar o marido.

        

        A "confissão" foi condenada pela Anisitia International, organização de defesa dos direitos humanos.

        

        De acordo com a ONG, "confissões desse tipo (transmitidas pele televisão) têm sido repetidamente usada pelas autoridades iranianas para incrimar pessoas que estão sob custódia".

        

        Ainda segundo a Anistia, muitos desses indivíduos acabam "retirando" a confissão tempos depois, com o argumento de que foram "coagidos, às vezes sob tortura".

         

        

        Asilo

        

        O governo brasileiro confirmou, na última terça-feira, ter feito uma oferta "formal" de asilo à iraniana, mas segundo o Itamaraty, Teerã ainda não deu retorno sobre a proposta.

        

        Mas em entrevista à Agência Brasil nesta quinta-feira, o embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, negou que seu governo tenha recebido uma oferta formal do Brasil de asilo a Sakineh.

        

        "Nós não recebemos de forma oficial pedido ou oferta alguma [de asilo ou refúgio político] para esta senhora ser enviada para o Brasil. Não houve ofício por escrito, nota oral ou troca de notas, como é a orientação na diplomacia em casos assim", disse o embaixador à agência.

        

        O embaixador também descartou o envio de Sakine ao Brasil, com o argumento de que a mulher condenada é iraniana, o que, segundo ele, "elimina a possibilidade de outro país ser incluído no processo".

        

        Consultado pela BBC Brasil, o Itamaraty disse que não comentaria como a oferta foi feita - se por ofício ou verbalmente.

        

        Ontem, o chanceler Celso Amorim reiterou a "disposição" brasileira em receber a iraniana e que "isso, para nós (do governo brasileiro), é uma comunicação oficial".

         

        (BBC Brasil)

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