Os comerciantes de Ponta Porã e Dourados querem redução de impostos para concorrer com o comércio de Pedro Juan Caballero, no Paraguai. No sábado, eles se reuniram na fronteira, oportunidade que discutiram estratégias para pressionar tanto o governo do Estado como o Federal. Nos próximos dias os empresários querem formar uma grande caravana para ir à Brasília.
Durante a reunião convocada pelo presidente da Câmara de Ponta Porã, Daniel Valdez Puka (DEM), e que contou com a presença da senadora Marisa Serrano (PSDB), os presidentes das associações comerciais e empresariais de Ponta Porã, Evaldo Pavão Senger; e de Dourados, Antônio Freire, manifestaram o inconformismo com a carga tributária vigente no país.
Evaldo Pavão disse que os comerciantes só vão conseguir sobreviver se o governo adotar política diferenciada para a fronteira. Ele disse que não existe guerra com o comércio do país vizinho, o que não está dando mais para suportar é uma concorrência desigual. ?Aqui pagamos 40% a mais de impostos que os empresários paraguaios. Dessa forma não tem como competir?, disse.
Para Antônio Freire, Dourados que está a 120 quilômetros da fronteira também sofre com o comércio paraguaio. ?Tem gente que sai de lá até para fazer compras nos supermercados do Paraguai. Os prestadores de serviços são responsáveis por 67% do ICMS recolhido pelo Estado e essa carga pesa e ninguém está suportando mais?. Ele disse que enquanto alguns produtos agrícolas e veterinários têm alíquota zero os comerciantes pagam o que não podem. ?O governo precisa rever isso?, afirma.
Além dos supermercados, Freire diz que os douradenses vêm ao Paraguai para comprar todo tipo de produtos, principalmente eletrônicos e pneus. Também ressaltou que sem condições para concorrer com outros estados e com o Paraguai os postos de combustíveis nas margens das rodovias estão fechando. ?Aqui em Ponta Porã é ainda pior porque está bem do lado do Paraguai. Acho que as fronteiras devem continuar abertas, mas precisamos de condições para competir?, disse.
A senadora Marisa Serrano que foi convidada a participar da reunião para fazer o encaminhamento das reivindicações em Brasília, se comprometendo em elaborar um pré-projeto para discussão pela Câmara de Vereadores e comerciantes de Ponta Porã. ?Vamos levar essas questões também para a reunião do Mercosul, para que os países vizinhos também adotem políticas que não prejudiquem o comércio brasileiro. Temos que fazer uma legislação específica, que seja boa para todas as regiões de fronteira. Não é interessante para ninguém ver o comerciante brasileiro quebrando, seja aqui em Ponta Porã, em Bela Vista ou em Foz do Iguaçu?.
Já o presidente da Câmara de Vereadores de Ponta Porã, Daniel Puka, disse que é importante a mobilização dos comerciantes. ?Vamos nos articular e formar uma caravana para viajar à Brasília, para que possamos conversar com os congressistas e também com o governo federal sobre a situação vivida por todos nós. Não somos contra os comerciantes paraguaios, queremos apenas condições de negociar e isso só vamos ter com uma carga tributária menor?.