Cidades
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Esgoto de 487 casas vaza em córrego
Esgoto de 487 casas vaza em córrego
Moradores do Residencial Ramez Tebet, situado próximo ao Bairro Universitário, na saída para São Paulo, em Campo Grande, inaugurado há um ano, têm sofrido com o vazamento de esgoto. Os dejetos, que vazam de um duto caem em uma área de preservação ambiental onde existe uma nascente e, junto com a água, formam um córrego e uma pequena lagoa contaminada, ambiente em que crianças se refrescam nos dias de calor. Mesmo pagando taxa pelo tratamento do esgoto, os moradores convivem com mau cheiro e risco de contaminação.
De acordo com Carlos Augusto Martinez, 60 anos, que mora na Rua Fidélis Bucker, quando ele se mudou para o local, em agosto do ano passado, o problema já existia. “A gente tem que conviver com esse cheiro horrível”, disse ele, que fez questão de mostrar a conta de água, em que aparece a cobrança pelo tratamento de esgoto. De acordo com a esposa dele, o cano estourado “não aguentou as primeiras descargas”. Os dois, que dizem já ter entrado em contato com a concessionária Águas Guariroba várias vezes para comunicar o problema, desistiram de tentar.
O local por onde o esgoto escorre é chamado de posto de visitação (PV) – aquelas tampas metálicas circulares encontradas ao longo das vias públicas da Cidade. O duto é um dos caminhos que leva o esgoto das 487 casas para a estação de tratamento.
Próximo dali, Severino Pedro da Silva, de 60 anos, arrenda 2 hectares de terra onde mantém uma horta. Ele, que vive há 40 anos na região, disse que teve de encontrar formas de desviar o esgoto para que a sujeira não contamine a água da nascente, que ele usa para irrigar as verduras. “Se é a gente que deixa um ‘esgotinho’ de nada estourar em casa, leva multa. Agora, aqui, nada acontece”, reclamou.
Segundo ele, antes do vazamento, era possível coletar a água da nascente para consumo. Agora, com a contaminação, ficou impossível. “As crianças tomam banho nessa água”, contou Severino. Gustavo, um menino de 9 anos que guiou a reportagem até o local onde a água e o esgoto unem-se, formando uma lagoa, confirmou a informação.
Explicação
A Águas Gariroba, empresa responsável pelo abastecimento de água e tratamento do esgoto em Campo Grande, enviou equipes para o local ontem à tarde e, segundo a assessoria de imprensa da concessionária, foi verificado que havia uma “obstrução da rede” causada pelo acúmulo de sacos plásticos e outros tipos de lixo sólido, jogados pelos próprios moradores.
De acordo com a Águas Guariroba, o problema é muito comum e, por conta do acúmulo de materiais que impedem a passagem do esgoto pelo duto comum, o esgoto acaba vazando pela tampa metálica do posto de visitação.
Sobre a alegação de que já teria sido acionada pelos moradores e de que o problema persiste há quase um ano, a empresa afirmou que, muitas vezes, a grande demanda de chamados inviabiliza a visita em algumas localidades. Mesmo assim, a empresa alerta para que, caso seja constatado algum problema na rede, o usuário entre em contato pelo telefone 115.
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