Em reflexo das incertezas que rondam seu processo de capitalização, as ações da Petrobras (PETR3, PETR4) figuram entre os principais destaques negativos não só do Índice Bovespa, mas dentre todos os papéis listados no segmento Bovespa.
Desde janeiro, os ativos ON da estatal somam queda de 25,84%, enquanto que nos últimos doze meses a baixa acumulada é de 21,63%. Já as ações PN têm desvalorização de 25,39% no ano e de 16,24% em 12 meses.
Com estas performances, as ações ON e PN surgem, respectivamente, como 4º e 6º piores desempenhos do Ibovespa em 2010 e ficam em 2º e 3º lugares no ranking das ações que mais desvalorizaram no Ibovespa quando são consideradas apenas as oscilações dos últimos 12 meses.
Já entre todas as ações listadas na bolsa paulista, os papéis ON e PN da Petrobras figuram em 11º e 16º colocados no quesito pior desempenho em 12 meses e aparecem em 18º e 21º lugares em 2010, nesta ordem.
O movimento das ações é reflexo do agitado noticiário da empresa nos últimos meses, com destaque para os detalhes que envolvem o processo de capitalização da companhia. De acordo com a economista Mariana Costa, da Link Investimentos, "é uma questão que envolve muitos pontos, não somente o valor do barril, mas também o tamanho da emissão ou quando ela deve acontecer. É uma questão muito grande e cheia de detalhes, então ela é muito relevante pelo todo e principalmente pelo tamanho da Petrobras".
Preço por barril
As incertezas sobre a definição do preço por barril de petróleo do pré-sal seguem como um dos principais vetores para os investidores, de olho na cessão onerosa da União para a petrolífera. A Petrobras confirmou nesta sexta-feira que apresentou à Casa Civil e aos Ministérios da Fazenda e de Minas e Energia a avaliação preliminar das áreas do pré-sal que devem ser incluídas na cessão onerosa. A avaliação havia sido entregue para a estatal na véspera pela certificadora contratada DeGolyer and MacNaughton.
Segundo a nota da empresa, o encaminhamento marca "o início das negociações para definição do preço da cessão onerosa. O preço final terá como referência as avaliações independentes contratadas pela Petrobras e pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis)".
O preço do barril de petróleo definirá o valor que a capitalização irá atingir, e a principal preocupação dos investidores é de que, caso o valor atinja níveis acima do previsto, será inviável para os acionistas minoritários acompanharem o processo de subscrição das novas ações. A ANP recebeu na quinta-feira (19) o relatório preliminar sobre a certificação dos reservatórios de Franco, que devem ser usados no processo, para repassá-lo ao governo federal, embora a agência tenha manifestado que não irá divulgar antecipadamente o conteúdo do material.
Prazo limite
O ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, definiu uma data limite, o dia 23 de agosto, para que o preço do barril de petróleo que será utilizado na cessão onerosa de até 5 bilhões de barris à Petrobras seja divulgado. De acordo com reportagem do jornal Estado de S. Paulo, o preço definido pela consultoria contratada pela ANP teria ficado entre US$ 10 e US$ 12, enquanto o estudo anterior encomendado pela Petrobras teria avaliado as reservas entre US$ 5 e US$ 6.
A Socopa Corretora comentou em relatório que o número fica distante da estimativa do mercado. Além disso, a corretora calcula que, mantendo constante a quantidade de cinco bilhões de barris a US$ 10 cada, o mercado teria que acompanhar um aumento de capital da aproximadamente US$ 90 bilhões. "Tal cenário se mostra sensivelmente inviável", disse.
No mesmo sentido, a MCM, além de avaliar que "um preço acima de US$ 7/barril poderia inviabilizar a decisão", citou ainda impasses políticos, como a resistência do Ministério da Fazenda à operação em setembro, pedindo maior prazo por causa da complexidade da operação.
Já o analista Sérgio Torres, do JP Morgan, declarou que a instituição não vê cenário "draconiano" para o valuation da companhia. Assim, a rota preferencial seria um valor inicial entre US$ 5 ou US$ 6 por barril, com cláusulas claras para avaliação da produção, da qualidade e possíveis mudanças no preço do petróleo. Com a revisão da precificação marcada para daqui a dois anos, o JPMorgan enxerga que então o preço final atingiria algo entre US$ 6 e US$ 8.
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