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ESPECIAL - A evolução do salto alto na moda

ESPECIAL - A evolução do salto alto na moda

Redação

22/08/2010 - 01h00
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No imaginário feminino, subir em um salto sempre teve um preço: o desconforto. Em nome da beleza ? e dos centímetros a mais ? as mulheres topam ter os dedinhos apertados, o calcanhar dolorido e até calos na sola dos pés. Estar lá em cima, por si só, é a recompensa.

A boa notícia é que a indústria calçadista conseguiu o que parecia improvável: tornar um sapato de salto quase tão confortável quanto outros mais baixos ? sem perder estilo e elegância. O sapato da página anterior aumenta em 10 centímetros a altura da mulher (são 10 centímetros de salto e mais 2 centímetros de meia pata), mas seu conforto equivale ao de um sapato de apenas 4 centímetros. "Se comparado aos concorrentes de mesma altura, chega a ser até 50% mais confortável", diz Eliane Manfio, coordenadora do Laboratório de Ensaios em Biomecânica do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçados e Artefatos (IBTeC). "O conforto finalmente se tornou uma preocupação dos grandes estilistas."

O IBTeC avaliou mais de 2.500 pares de calçados no ano passado, entre eles peças de grifes como a Arezzo. A boa-nova é que os fabricantes estão começando a usar vários itens de conforto desenvolvidos recentemente. Os principais: palmilhas flexíveis com sistemas de amortecimento em gel, que acomodam o calcanhar, e espumas de látex que recheiam a palmilha na planta do pé. Há também tecidos porosos e antibactericidas nos forros laterais. Eles absorvem o suor ? sem deixar odor ? e mantêm a temperatura do pé estável.

Alguns fabricantes de calçados como a gaúcha Bebecê submeteram seus calçados a dezenas de testes, em numerações diversas e formatos de pés diferentes. Usaram palmilhas eletrônicas para monitorar os pontos de pressão dos pés ? e identificaram onde era preciso melhorar. Um laudo detalhado custa cerca de R$ 3 mil para o fabricante.

Os avanços da indústria calçadista chegam em um momento mais que oportuno, pois os saltos brasileiros cresceram 5 centímetros em apenas dois anos. "Até 2008, a maioria tinha 4 centímetros", diz Oscar Sauter Neto, dono da Sandense, a maior fabricante de saltos do Brasil. "Hoje cerca de 70% do que produzimos tem mais de 9 centímetros." A Sandense produziu mais de 500 milhões de pares de saltos nos últimos dois anos.

Além da influência da onipresente Lady Gaga e seus sapatos exóticos, há várias especulações para a escalada mundial dos saltos. O antropólogo americano Ted Polhemus diz que a elevação tem acompanhado o crescimento econômico de países emergentes. "As mulheres se sentem mais seguras para ousar porque estão subindo no mercado de trabalho", diz ele. O estilista brasileiro Maurício Medeiros afirma que, no Brasil, há outro impulso. "As mulheres são baixas, e saltos são muito importantes."

        O desafio é identificar um sapato confortável. A dica é começar pela caixa. Os modelos que passam por avaliações de conforto e qualidade não perdem a chance de contar isso na embalagem. Em seguida, pegue o sapato e deslize os dedos por dentro para sentir rebarbas. Por fim, experimente os dois pés e ande pelo menos 10 metros. Apoie-se em um pé só, depois em outro. Nunca compre um sapato que aperte a ponta dos dedos ou o calcanhar com a promessa de que vai lacear.

        Mesmo com essa tecnologia, um salto agulha de 10 centímetros não é para passar o dia todo. Uma pesquisa da Universidade de Framingham, nos EUA, mostra que saltos podem encurtar o tendão de aquiles, causar tendinite e dores de coluna. A dica é alternar saltos médios com baixos no dia a dia ? e deixar os mais altos para ocasiões especiais. Se você ainda não conhece todos os estilos de salto, ou não sabe como combiná-los, o quadro abaixo ajuda.

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