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Fidel admite que governo perseguiu gays em Cuba

Fidel admite que governo perseguiu gays em Cuba

Redação

31/08/2010 - 22h32
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                O ex-presidente cubano Fidel Castro admitiu hoje, em entrevista concedida a um jornal mexicano, que seu governo perseguiu homossexuais nas décadas de 1960 e 1970 e declarou que "aqueles foram momentos de muita injustiça". Na época, gays e lésbicas foram exonerados de cargos públicos, presos ou enviados a campos de trabalho forçado.

                

                

                Fidel disse ao periódico mexicano La Jornada que seu governo agiu errado. "É verdade que nós fizemos isso", disse Fidel. "Estou tentando limitar minha responsabilidade por tudo isso porque, de fato, eu não carrego comigo esse tipo de preconceito", declarou. Questionado sobre se o Partido Comunista ou alguma entidade específica esteve por trás da perseguição, Fidel respondeu: "Não. Se alguém deve ser responsabilizado por isto, sou eu."

                

                O histórico líder cubano - afastado do poder desde 2006, quando foi acometido de uma grave doença gastrointestinal - disse que estava ocupado demais na época cuidando de problemas como a Crise dos Mísseis, ocorrida em 1962, que não teve como impedir o que acontecia. "Tínhamos diante de nós problemas tão terríveis, questões de vida ou morte, que não prestamos atenção suficiente a isto."

                

                Atualmente, campanhas promovidas pela mídia estatal cubana denunciam o preconceito contra os homossexuais. Nos últimos anos, o sistema público de saúde cubano realizou operações de mudança de sexo. Mariela, sobrinha de Fidel e filha do atual presidente de Cuba, Raúl Castro, é hoje a principal defensora dos direitos dos homossexuais no país.

                

                Livro

                

                Fidel já havia comentado anteriormente a questão em entrevistas concedidas ao jornalista francês Ignacio Ramonet entre os anos de 2003 e 2005. "Eu gosto de pensar que a discriminação contra os homossexuais é um problema que está sendo superado", afirmou. "Velhos preconceitos e visões estreitas serão, cada vez mais, coisas do passado", disse ele nas entrevistas a Ramonet, que resultaram no livro "Fidel Castro - Biografia a Duas Vozes" (Boitempo Editorial, 624 páginas).

                 

                (Informações do Estadão)

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