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Franceses entram em greve contra reforma de aposentadoria

Franceses entram em greve contra reforma de aposentadoria

Redação

07/09/2010 - 09h00
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        Centenas de milhares de trabalhadores franceses cruzaram os braços nesta terça-feira para protestar contra a reforma da aposentadoria.

        

        

        A greve geral é considerada um teste decisivo pelos sindicatos, que esperam reunir nas ruas mais de dois milhões de manifestantes nos 190 protestos em inúmeras cidades do país.

        

        A paralisação de diferentes setores da economia coincide com o início, nesta terça-feira, das discussões no Parlamento do projeto de reforma, que tem como principal medida o aumento da idade mínima para aposentadoria dos atuais 60 anos para 62 anos.

        

        O aumento será feito progressivamente até atingir 62 anos em 2018 tanto para o setor privado quanto para o funcionalismo público.

        

        Paralelamente, a idade para ter direito à aposentadoria integral no caso dos que não atingiram o tempo de contribuição exigido (de 41,5 anos em 2020) passará de 65 para 67 anos.

        

        Apesar dos protestos, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, declarou que não irá recuar em relação ao aumento da idade para aposentadoria.

        

        A greve afeta o sistema de transportes, escolas, correios, hospitais e aeroportos em todo o país. A direção da SNCF, estatal ferroviária, informou que 43% de seu pessoal estão em greve nesta terça-feira.

        

        Segundo o Ministério da Educação, 29,3% dos professores de primeiro e segundo graus não foram trabalhar.

        

        Os sindicatos esperam nesta terça-feira conseguir pelo menos o mesmo desempenho registrado nos últimos protestos contra a reforma, em 24 de junho, que teriam reunido 2 milhões de pessoas, de acordo com as centrais sindicais, e 800 mil pessoas, segundo a polícia.

        

        O movimento tem forte apoio popular. De acordo com duas pesquisas de opinião distintas, de 63% a 70% dos franceses apoiam a greve desta terça-feira.

        

        Para Sarkozy, cujo mandato vai até 2012, a reforma da lei de aposentadorias - se aprovada - é tida como uma das mais importantes mudanças introduzidas pelo seu governo.

        

        O líder francês vem enfrentando sucessivas quedas nas pesquisas de opinião nos últimos meses. O índice de aprovação de Sarkozy caiu mais dois pontos e atingiu 32%, o mais baixo de seu governo, em uma sondagem do instituto CSA para o jornal Le Parisien divulgada em setembro.

        

        O projeto de reforma da aposentadoria, que já recebeu cerca de 700 emendas no Parlamento, está sendo conduzido pelo ministro do Trabalho, Eric Woerth, enfraquecido em razão de seu envolvimento no escândalo do caso L'Oréal, acompanhado com grande interesse na França desde junho.

        

        O ministro, que era tesoureiro do partido de Sarkozy, é suspeito de ter realizado tráfico de influência e de ter recebido doações ilegais para campanhas políticas.

        

        A greve desta terça-feira é a terceira deste ano para protestar contra a reforma da lei de aposentadorias.

         

        (Com informações do Estadão)

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