Vânya Santos
Laudo do perito especialista em psiquiatria forense, Guido Arturo Palomba, aponta que o procurador aposentado Carlos Alberto Zeola, assassino confesso do sobrinho Cláudio Alexander Joaquim Zeola, é de alta periculosidade social. Na avaliação feita a pedido do juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, Carlos Alberto Garcete, consta que o réu sofre de epilepsia comportamental, é semi-imputável e requer medida de segurança detentiva.
O advogado de defesa, Ricardo Trad, disse que na avaliação consta que no dia do crime Zeola estava tomado de um sentimento forte, que nasceu quando soube que seu pai Américo foi agredido pela vítima Cláudio. Esse sentimento de raiva e de indignação invadiu a razão. Conforme o documento, Zeola não dormiu à noite, nem sob efeito de sedativos, e estava em estado de estreitamento de consciência, como se estivesse usando um cabresto. No laudo, o perito Guido descreveu que o réu pegou a arma de fogo na casa do pai e foi caminhar para fazer hora até o momento em que sabia onde encontrar o sobrinho. “Com determinação, deu um tiro na nuca da vítima”, relatou o especialista.
O psiquiatra contou que levou cerca de um mês para concluir a perícia e garantiu que teve acesso a tudo que precisava para avaliar Zeola com segurança. “A missão do perito é instruir o processo para que seja distribuído justo e eu procurei fazer isso da melhor forma possível”, garantiu o profissional, que atua há mais de 30 anos na área e é considerado referência para juizes, advogados e imprensa.
Júri
“A tendência é de que Zeola seja submetido a júri popular, mesmo porque a defesa pretende discutir no júri outras teses que implicariam sua absolvição. Esse laudo me dá a oportunidade de levar a tese da coação moral irresistível porque ele foi arrastado ao crime pela própria vítima em razão das agressões feitas ao pai”, adiantou Ricardo Trad, explicando que independente de o réu ser absolvido ou condenado deverá permanecer internado para evitar que cometa qualquer ato contra si ou outras pessoas. Atualmente o réu está internado na Clínica Carandá.
Carlos Zeola foi aposentado pelo Ministério Público Estadual com base em laudos que afirmaram que ele era inimputável. A defesa alega que exames neurológicos comprovam que o procurador tem parte da massa encefálica comprometida. Já perícia feita pelo médico psiquiatra Luiz Carlos Alvarenga Valim apontou que Zeola tinha consciência do crime que cometeu em março de 2009, quando matou o sobrinho Cláudio Alexander, de 23 anos, que seguia para uma academia de ginástica, no Bairro Jardim dos Estados.
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