Três Lagoas
Em troca de tiros com um suspeito de praticar furto, a Polícia Militar de Três Lagoas matou, na noite de terça-feira, Kleber Fernando Nogueira Gomes, de 25 anos. Na segunda-feira, em Campo Grande, militares também mataram um acusado de envolvimento em assalto.
Os dois episódios acontecem um mês depois de o comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, coronel Carlos Alberto David dos Santos, ter afirmado que a corporação continuaria rechaçando à bala qualquer reação a abordagem policial.
De acordo com informações policiais, Kleber Nogueira tinha antecedentes criminais por ameaça, furto e tráfico de drogas e teria reagido a uma abordagem, no Bairro Vila Popular. Este é o terceiro caso de morte em confronto com a PM, em pouco mais de um mês, no município, e o oitavo caso no Estado.
Segundo o boletim de ocorrência, a equipe da Rondas Ostensivas e Táticas do Interior (Rotai) fazia patrulhamento, quando localizou dois homens em atitudes suspeitas. Na abordagem, eles teriam fugido para dentro de uma casa. Os policiais entraram no imóvel para concluir a averiguação e teriam sido recebidos a tiros, disparados por Kleber Nogueira. A polícia teria revidado, atingindo-o. Ele chegou a ser socorrido no Hospital Auxiliadora, onde morreu.
A abordagem foi feita, segundo a PM, porque um dos homens teria características semelhantes às de um dos homens que horas antes assaltaram um posto de combustível, no Bairro Jardim Alvorada. Conforme o delegado regional, Vítor Lopes, a suspeita e a possível relação entre os fatos não constam do boletim de ocorrência. “A abordagem em si não foi feita em perseguição dos assaltantes do posto até a casa. Houve uma possível suspeita e a polícia fez a abordagem, explicou.
A PM informou, ainda, que uma motocicleta cor prata, que estaria na residência, também seria parecida com a que foi utilizada no assalto. O delegado regional disse que a Polícia Civil vai ouvir as testemunhas do posto de combustíveis, para fazer o reconhecimento, possivelmente com base em fotos do rapaz morto. O outro rapaz, que estaria com Kléber Nogueira no início da ação, fugiu e não foi localizado.
Quanto às duas outras mortes praticadas pela Rotai, os dois delegados que presidem os inquéritos, segundo Vitor Lopes, já concluíram a fase de depoimentos e aguardam os laudos periciais para concluir de quais armas foram disparados tiros, quem as portava e se as vítimas, Lucas Aurélio Araújo e Ademar Marques Ogeda, o Ademazinho, fizeram disparos, caracterizando o confronto com os policiais.
Na ocasião, Lucas Aurélio de Araújo atirou contra o cabo da PM Edu Wesley de Almeida, de 33 anos, em um bar, depois de o policial pedir para ele se retirar, já que incomodava as pessoas. Colegas tentaram prendê-lo em flagrante, mas teriam sido recebidos a balas e reagido. Lucas ficou ferido dentro de casa, foi socorrido e morreu no Hospital Auxiliadora.
Uma testemunha teria afirmado que Ademarzinho seria o dono da arma que matou o cabo e ainda seria mandante do crime, com promessa de pagar R$ 100,00 ao acusado pelo homicídio, praticado dia 14 de agosto. O crime mobilizou as polícias civil e militar, na caçada pelo suspeito de encomendar a morte. Dois dias depois, Ademarzinho foi localizado pela PM e teria reagido à abordagem com tiros, sendo atingido dentro de casa. Ele também morreu no Hospital Auxiliadora.
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