Cidades

Dia das Crianças

Periferia e região central; realidades bem diferentes

Periferia e região central; realidades bem diferentes

Redação

12/10/2010 - 08h00
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Um espaço de pouco mais de quinze quilômetros separa duas regiões distintas de Campo Grande e duas realidades bem diferentes. Enquanto as mães de classe média se viram em presentes cadas vez mais criativos para o Dia das Crianças, na periferia da cidade os pequenos estão à espera da solidariedade que todos os anos lhes bate a porta.

Na comunidade Cidade deDeus, próximo ao lixão, uma das maiores periferias da cidade, é comum observar crianças brincando nas ruas e o Dia das Crianças acaba se tornando um dia como outro qualquer, já que as condições financeiras não favorecem os anseios e desejos por brinquedos caros. Mas elas sonham, sonham como toda criança sonha.

Rosana dos Santos, tem 30 anos, mora na comunidade há um ano, é mãe de quatro filhos e conta sobre sofrimento de morar num barraco e sustentar as filhas. “Trabalho no lixão, ganho cerca de R$ 30 por semana”, revela Rosana que disse que a mãe é diarista e às vezes ajuda no sustento da família.

Questionada sobre o que ela sente em não poder presentar as filhas, ela diz, “Não tem, não tem. Fazer o que? Eles tem que entender a nossa situação, até o gás acabou e não temos dinheiro pra comprar outro, ainda mais pra comprar presente”. Rosana não possui CPF e por isso não recebe nenhum auxilio do governo.

As filhas de Rosana ganharam presentes na última sexta-feira (8), que foram distribuídos por voluntários. “É o primeiro presente que ganho nesse ano, adorei minha cozinha”, diz a filha mais velha.

Elisângela da Silva, 30 anos, grávida de cinco meses, mora no local há três anos, junto com o marido e mais três filhos, com idades de 07,11 e 12 anos. “Eu e meu marido trabalhávamos como catadores no lixão, mas o serviço era muito puxado, agora só ele trabalha como pedreiro e recebe R$ 200 por mês”. Elisângela conta que chegou a perder um filho por conta do trabalho pesado como catadora e que mesmo ganhando mais, eles resolveram abandonar o serviço no lixão. Ela ainda não fez nenhum pré-natal e não sabe o sexo do filho, “Fui no posto várias vezes e não consegui marcar, não tenho dinheiro para pagar um particular, vou ter que esperar um pouco”. “É difícil pra gente, eles pedem de tudo, esse ano queriam uma bicicleta, mas já expliquei que no momento não temos condições, diz. “Agente corre, as vezes eles trazem pula-pula, escorregador, brinquedos, cachorro quente, pipoca”,conta o filho de onze anos.

Se vão ganhar brinquedos de R$ 1, R$10, R$50 ou R$ 100 eles não sabem. O que as crianças da comunidade esperam é a chegada de alguém que as surpreendam com algo que as mesmas nunca puderam ganhar.

 

O outro lado

 

Em um mundo totalmennte diferente, a pensionista Marlene Amaral Ferreira, 70, conta que tem três netos e que sempre faz questão de dar presentes. “Todo ano presenteio todos eles no aniversário, Natal e no Dia das Crianças”, conta a vó que neste ano gastou cerca de R$ 65,00 com presente do neto de três anos. Marlene revela ainda que este ano foi mais prático. “ Meu neto de doze anos optou pelo dinheiro ao invés do presente, dei R$ 50 pra ele, só precisei comprar o do mais novo, já que a terceira neta já tem 18 anos e só ganha presente no aniversário e Natal”, termina.

Viviane Mantilha, de 30 anos, produtora, administradora e mãe de dois filho, com idade de três meses e três anos,“Comprei uma boneca no shopping. Maria Beatriz viu e queria de todo jeito”, conta a mãe que gastou cerca de R$ 80 com o presente da filha mais velha.

Já a pequena empresária Márcia Barcellos costuma fazer suas compras de Dia das Crianças e até mesmo em outras datas comemorativas no camelódromo de Campo Grande. Mesmo com o tumulto ela afirma,“aquele é o melhor lugar para comprar e pexinxar”, afirma. Isso, segundo ela, por conta dos preços mais em conta e também da variedade de brinquedos. “Tenho tantos sobrinhos, afilhados que não posso deixar de dar pelo menos uma lembrança nessas datas”, conta “A mesma boneca que eu compraria em uma loja do shopping encontro pela metade do preço no camelódromo”, garante.

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