COPIAPÓ, CHILE
Trinta e um dos 33 mineiros que estavam internados no Hospital Regional de Copiapó tiveram alta, sendo três anteontem e o restante ontem. Os médicos não confirmaram os nomes dos mineiros que foram liberados e dos que permanecem internados alegando a preservação de privacidade.
Os dois últimos mineiros que ainda não tiveram alta serão transferidos para a sede da Associação Chilena de Segurança para que tenham sua situação monitorada. Segundo os médicos, eles não têm quadros graves, mas ainda necessitam de cuidados leves, e não da complexidade de um hospital.
Anteontem, tiveram alta Carlos Mamani, Edison Peña e Juan Illanes. Segundo as rádios chilenas, um dos pacientes que seguirá internado é Mario Gomez, mas os médicos não confirmam a informação.
Primeiras altas
Entre os primeiros a ser liberado do hospital, Peña foi recebido ontem por curiosos e jornalistas. “Estou bem, estou supersaudável, por isso sou um dos três primeiros a sair”, disse. “Obrigada por acreditarem que estávamos vivos.”
Peña é o mineiro que ganhou o apelido de “Forrest Gump”. Apaixonado por esportes, ele chegou a correr 10 quilômetros em um dia dentro da galeria subterrânea da mina, apesar dos limites espaciais. Durante o período de isolamento, chegou a pedir sapatilhas e short esportivo para poder correr melhor.
Já a família de Carlos Mamani, ao saber mais cedo da alta, anunciou que iria recebê-lo com um churrasco. “Estamos preparando um churrasco com muita carne, assada no carvão”, afirmou o sogro de Mamani, Jhony Quispe, ao jornal “El Mercurio”.
O bairro de João Paulo II, um dos mais pobres e violentos de Copiapó, também fez festa na noite de quinta-feira para receber Mamani. “Bem-vindo ao nosso humilde lar”, dizia um cartaz na simples casa de barro, onde o mineiro, de 23 anos, mora.
Juan Illanes, 52, ex-militar, foi o terceiro resgatado na operação. Casado, ele é veterano do conflito fronteiriço entre Chile e Argentina em 1978. No trajeto para casa, Illanés compartilhou seu sonho futuro: “A verdade é que quero ir para Miami. O confinamento foi horrível. Os primeiros 17 dias foram um pesadelo. Depois, tudo mudou”, contou. “Pouco a pouco fomos nos organizando, e sentíamos o apoio vindo de fora. E, perto do final, tudo que queríamos era sair”.
Para ele, a experiência na mina foi “muito proveitosa” e desde então “tudo isso tem sido incrível”. Illanes, um eletromecânico, que celebrou seu aniversário dentro da mina, foi, segundo testemunhos, quem mais injetou otimismo e bom humor a seus companheiros.
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