Depois de quatro meses de investigação, o inquérito sobre o desaparecimento da menina Lívia Gonçalves Alves, de 11 anos, em Corumbá, ainda não tem previsão de conclusão. Informações conflitantes e demora no recebimento de provas atrasam o trabalho realizado pela Delegacia Especializada de Atendimento da Infância e Juventude (Deaij), que se concentra em ouvir testemunhas e checar tudo o que foi relatado.
Segundo a delegada titular da Deaij de Corumbá, Priscilla Anuda Quarti Vieira, o principal entrave em investigações de desaparecimentos é que não há vestígios do sumiço, não há materialidade do fato. “É mais difícil porque não temos de onde partir”.
Quase toda a investigação é feita com base nos relatos de testemunhas que viram ou deixaram de ver alguma coisa que pode ser relevante para solucionar o caso. “Contamos com informações sérias, mas tudo tem que ser verificado”, explica a delegada. As provas testemunhais são a base de toda a investigação sobre o desaparecimento de Lívia.
Provas
Quebra de sigilo telefônico do principal suspeito do sequestro de Lívia, Ademar Francisco de Souza, enviado à Deaij na semana passada, reforçam seu envolvimento no crime. Conforme Priscilla Vieira, o relatório comprova que Ademar teria falado com algumas das testemunhas no dia do desaparecimento. Fato que ele havia negado. “Isso mostra que ele mentiu no depoimento”, afirma a delegada. Ademar está preso desde junho, acusado de integrar uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes na região.
O que já foi comprovado, em termos de crime, é que a menina foi sequestrada para fins libidinosos. “Após isso, só as investigações vão dizer, se foi sequestrada para fins de tráfico de pessoas, se houve um homicídio. Sem a colaboração de testemunhas, a investigação não avança”, diz Priscilla Vieira.
A Polícia Civil não descarta a hipótese de a menina ter sido levada para a Bolívia, vítima de uma rede de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual. Mas o fato do desaparecimento ter sido comunicado à Polícia somente 24 horas depois, dificulta ainda mais o trabalho. “Aqui é muito fácil sair do País. 24 horas é muito tempo nesse tipo de investigação”.
O caso Lívia foi o estopim para a abertura de outros sete inquéritos e a identificação de 14 vítimas de Ademar, entre adolescentes e crianças. Lívia desapareceu quando saiu de sua casa na Rua 15 de Novembro, com autorização da mãe, para ir à casa de sua tia. A menina trajava blusa branca e saia azul e foi vista pela última vez com uma adolescente, por volta das 17h do mesmo dia.
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