O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, pediu ontem tranquilidade em relação à proliferação da superbactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KCP). “A população fique tranquila porque essa é uma situação que acontece apenas em ambiente hospitalar e em pacientes debilitados”, disse ele após participar de encontro na capital paulista sobre a definição de diretrizes para minimizar o risco cardíaco em pacientes em tratamento contra o câncer.
Segundo o ministro, com a adoção de medidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), “a situação vai ficar sob controle”. Entre as ações da agência, ele destacou a norma que determina a retenção da receita médica na compra de antibióticos. “(Isso) vai impedir muito o que hoje é um problema seriíssimo, que é a automedicação, o uso abusivo e indiscriminado”, garantiu.
Além disso, o ministro lembrou a importância de procedimentos simples de higiene, como lavar as mãos, que diminuem muito o risco de contágio pela bactéria. “Isso serve para os profissionais de saúde e também para os visitantes ao entrar e ao sair (de um hospital)”.
Temporão destacou ainda que outro ponto fundamental no combate à bactéria é o cuidado no registro dos casos, para melhorar o embasamento de pesquisas sobre o assunto.
Neutralizador
De acordo com a professora de infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ana Cristina Gales, a carbapenemase é a enzima produzida pela bactéria que a torna capaz de inativar os antibióticos betalactâmicos, incluindo os carbapenens, considerados os antimicrobianos mais potentes para o tratamento de infecções graves. “O paciente pode ter a bactéria colonizada ou estar infectado e desenvolver algum tipo de infecção como pneumonia, meningite, na corrente sanguínea, ou mesmo no local da cirurgia”, diz a professora.
A enfermeira do Serviço de Controle de Infecção do Hospital Universitário de Brasília (HUB) Isabela Rodrigues, diz que o tratamento para combater a KPC, nos hospitais, é normalmente feito com a associação de três antibióticos: polimixina B, tigerciclina e amicacina. Se o uso abusivo dos antibióticos pode ser a causa do surgimento das bactérias, a falta de uso de materiais de higiene médico-hospitalar básicos como luvas, máscaras, álcool e a ausência da prática de hábitos, como o de lavar as mãos após o contato com pacientes, são apontadas como fatores que podem explicar a proliferação do micro-organismo.
Casos no país
Atualmente não existe um diagnóstico sobre a expansão da contaminação pela KPC no país. Os registros oficiais ainda estão restritos ao Distrito Federal, com 183 casos e 18 mortes, e aos estados do Paraná, com 24 casos; da Paraíba, com 18; do Espírito Santo, com três; de Minas Gerais, com 12; de Santa Catarina, com três; de Goiás, com quatro; e de São Paulo, com 70 casos e 24 mortes. Os dados são da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e das secretarias estaduais de Saúde.
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