Cidades
Conservação
Ladário cria APA Baía Negra
Ladário cria APA Baía Negra
Depois de sediar no passado um projeto mirabolante de se criar um polder experimental agrícola dentro do Pantanal, abandonado pelo governo, a localidade conhecida como Codrasa, no município de Ladário, vizinho a Corumbá, torna-se a primeira reserva de uso sustentável da planície. Um novo conceito preservacionista onde se garante a sobrevivência da comunidade tradicional.
A Prefeitura de Ladário transformou a Codrasa em APA (Área de Proteção Ambiental), denominada Baía Negra – nome de uma majestosa lagoa situada no seu eixo central – , em acordo com o Ministério Público Federal (MPF) e a Secretaria do Patrimônio da União (SPU). O local será um parque ecológico para visitação e pesquisa científica, com exploração da pesca e agricultura monitorada.
As terras formam um ambiente único de riqueza ecológica, arqueológica e paisagística, entre o Rio Paraguai e a morraria das reservas minerais de Urucum. São 5.954 hectares considerados um tesouro natural, reunindo todas as características de fauna e flora do Pantanal ao lado de centros urbanos ainda deficientes de infraestrutura básica, como rede de esgoto e aterro sanitário.
Obra visionária
Codrasa era o nome de uma construtora contratada pelo governo, nos anos 70, para abrir uma estrada com aterro margeando o Rio Paraguai, onde seriam instaladas comportas para controlar a vazão de água para atender um cinturão verde. A estrada de 9 km gerou impacto ambiental, ao impedir a passagem natural da água que alimenta os campos, e incentivou a ocupação desordenada.
O aterro ligando Ladário ao Rabicho, hoje um centro de treinamento da Marinha, também alimentaria outro projeto inacabado: a integração com a rodovia Transpantaneira, que saiu de Poconé (MT) e foi interrompida na beira do Rio Cuiabá, afluente do Paraguai, depois da catastrófica cheia de 74 na planície. Na época, o governo pretendia abrir uma estrada unindo os pantanais do Sul e Norte.
Ação do MPF
Ribeirinhos passaram a ocupar a área da União, fixando-se as margens do rio e da estrada. Contudo, a partir dos anos 80 surgiram empreendimentos turísticos e clubes de lazer com a comercialização ilegal de terrenos por funcionários da SPU, denunciados em 2009 pelo MPF. Houve degradação ambiental e hoje os alagados, represados pelo aterro, estão contaminados por agrotóxico.
O MPF decidiu intervir e interpelou os ocupantes, em abril do ano passado, quando instaurou um inquérito para apurar a responsabilidade pela venda dos lotes, a especulação imobiliária por pessoas que se julgam donas das terras e a presença dos sitiantes e pousadas. A presença do MPF gerou reação dos moradores – entre 90 e 100 famílias –, que alegam ter documento de posse do SPU.
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