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Cuba vai 'para o precipício', afirma Raúl Castro

Cuba vai 'para o precipício', afirma Raúl Castro

Redação

02/11/2010 - 01h25
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Em mais um duro discurso pontuado por mensagens reformistas, o presidente cubano, Raúl Castro, pediu ontem aos líderes sindicais do país que resistam à "tendência perniciosa" de esconder as falhas do regime e anunciou que a ilha "vai ao precipício" se não aplicar as reformas econômicas necessárias.
"O lado bom de cometer erros é que, pelo menos, eles nos dão a experiência para não repeti-los", disse Raúl em discurso a líderes da Confederação de Trabalhadores Cubanos, única organização de trabalhadores autorizada na ilha, ligada ao Partido Comunista. Raúl também pediu aos líderes sindicais que ajudem o regime a "defender e explicar" a demissão de 500 mil empregados públicos - o equivalente a 10% do total dos postos de trabalho do Estado. Com a medida, o governo espera reduzir a máquina estatal e estimular o surgimento de pequenos negócios, que absorveriam os trabalhadores demitidos, aumentando o ingresso de recursos públicos por meio de pagamento de impostos.

Apesar da guinada, Raúl tentou deixar claro que as mudanças serão feitas "sem renúncias, as mínimas que sejam, à construção do socialismo". Ele disse ainda que a classe trabalhadora "é a protagonista da atualização do modelo econômico cubano". Raúl ressaltou que "a única forma de romper dogmas, maus hábitos e tabus" é "dar participação às massas, tendo a classe trabalhadora à frente".

O ministro da Economia, Marino Murillo, foi ainda mais duro, dizendo que os trabalhadores cubanos não estão sendo produtivos o bastante para merecer os salários que recebem. "A sociedade está tendo acesso a bens de consumo mais rapidamente do que os tem produzido", disse Murillo.

Ontem, a Igreja Católica cubana anunciou que mais três presos políticos serão libertados como parte de um acordo no qual terão de ir para o exílio, na Espanha, como já ocorreu na semana passada com outros cinco presos políticos. Os novos libertados são Adrián Álvarez Arencibia, detido em 1985 e considerado o preso político mais antigo da ilha, Ramón Fidel Basulto García, preso em 1994, e Joel Torres González. Eles não fazem parte do Grupo dos 75, como ficaram conhecidos os dissidentes presos em 2003. Ainda falta o regime cubano libertar mais 13 membros do grupo.



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