A falta de verbas oficiais ou mesmo de centros de recuperação públicos voltados para o tratamento de dependentes químicos em Mato Grosso do Sul tem feito com que a assistência a esse segmento seja cada vez mais difícil no Estado. Os poucos projetos – se considerada a grande demanda existente – em andamento, em sua maioria de fundo religioso, enfrentam dificuldades para se manter, contando com contribuições da família de internos, pequenas doações de empresas e, em casos excepcionais, com convênios ínfimos. De um modo geral, os recursos levantados são insuficientes para se manter uma internação de dependente, que em média dura de sete a nove meses.
A persistência em crer na recuperação do drogado, por exemplo, é o que ainda mantém funcionando a Casa de Apoio para Dependentes e Familiares (Cadef), hoje com uma pequena chácara alugada, na região aos fundos da Uniderp Agrária. A instituição deu origem e também é responsável pelo Grupo de Apoio Amor Persistente, que semanalmente realiza reuniões de apoio a dependentes e familiares.
Sem recursos financeiros oficiais e trabalhando basicamente com doações para alimentação, água, energia elétrica, aluguel da chácara e outras despesas, na última semana a Cadef abrigava 12 jovens em luta contra o vício das drogas e cumprindo um programa de desintoxicação. Cada item de despesa é visto como uma luta mensal para obtenção de recursos.
O projeto nasceu a partir da dedicação de Aurora Sarmento, atualmente com a saúde debilitada, que ainda assim procura passar aos jovens e sua família que é possível vencer a dependência química. Desde janeiro de 2008 a Cadef conta com a chácara de tratamento, onde jovens podem ficar seis meses internados para a desintoxicação.
Não são cobradas mensalidades e a entidade também não tem convênios que sustentem o local. As atividades ali desenvolvidas dependem exclusivamente de doações, inclusive dos familiares dos dependentes, quanto de amigos. As exigências para quem busca o tratamento são, basicamente, a crença num no Poder Superior (Deus) e a participação da família em reuniões periódicas do grupo de apoio.
A psicóloga Lilian Sarmento dos Santos Wojciechowski é quem dirige a casa, dando continuidade ao trabalho iniciado pela mãe, Aurora Sarmento. A coordenação é feita pelo marido de Lilian, André Wojciechowski. Apesar da falta de recursos públicos, o casal tenta levar adiante o atendimento aos jovens que buscam a instituição para lutar contra a dependência, o que é feito por intermédio de uma extensa programação diária, que abrange atividades de espiritualidade, reflexões, grupo de apoio, vivência dos 12 Passos de Recuperação, trabalho e momentos de lazer. Um programa completo de tratamento compreende pelo menos seis meses, admitindo-se, conforme a necessidade, mais três meses de reforço. (TG)
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Falta de recursos dificulta projetos de recuperação de drogados
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