De olho no horário de fechamento dos portões, programado para as 11h55min, candidatos chegaram cedo ontem aos locais de prova do Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) em Campo Grande, alguns deles com até duas horas de antecedência. Diferentemente do primeiro dia de exame, marcado pela confusão de endereços, esquecimento de documentos e erros na própria folha de respostas das provas, a maior preocupação dos inscritos ontem foi com o teor da prova (linguagens e matemática) e principalmente com a redação.
"Hoje (ontem) é mais puxado, por ter redação, mas acho que por outro lado será mais fácil, por ter o tema linguagens, que só exige ler e interpretar o texto", comentou Bruna Karla Assad, 17 anos. A candidata, que está no terceiro ano do ensino médio e pretende utilizar a pontuação do Enem para conseguir vaga no curso de Zootecnia da UFMS ou da UEMS, chegou ao campus da Anhanguera/ Uniderp da Rua Ceará às 10h30min, meia hora antes da abertura dos portões, em companhia do pai, a fim de evitar problemas de acesso ao local de prova por causa do trânsito.
Para candidatos que residem em outras cidades, a jornada até os locais de prova começou ainda mais cedo. Os estudantes Lucinei Martins Sobrinho, de 19 anos, Thaís Campos, 17, e Daniela Fernandes Brocco, de 16, moram em Ribas do Rio Pardo e percorreram 100 quilômetros de ônibus para poder fazer o Enem, chegando à Anhanguera/ Uniderp por volta das 10h30min. "Ontem chegamos três horas antes de abrir o portão. Só não chegamos mais cedo hoje (ontem) porque quebrou um ônibus e tivemos que mudar para outro", contaram. Ao todo, cerca de 160 inscritos do município fizeram as provas na Capital, deslocando-se em ônibus cedidos pela prefeitura.
Para as duas jovens, que realizam o Enem pela primeira vez, as provas servirão de experiência, já que ainda não concluíram o ensino médio. "Viemos para conhecer a prova e ver como funciona. No ano que vem, a gente vem pra valer", disse Daniela. Já Lucinei, que está no terceiro ano do ensino em médio, tem a expectativa de obter pontuação para ingressar na UFMS ou obter uma bolsa em universidade privada para o curso que deseja. "Quero fazer Engenharia Mecatrônica", contou.
Já os colegas de classe Jessica da Silva Freitas, 16 anos, e Rogério Correia, 20 anos, enfrentaram aproximadamente 40 minutos de ônibus entre Terenos e Campo Grande para poder fazer as provas. Enquanto ela espera conseguir uma vaga para o curso de Pedagogia da UFMS, ele pretende cursar Engenharia Civil, também na mesma universidade.
Mesmo com os problemas relatados no primeiro dia de provas — os gabaritos estavam com os títulos temáticos invertidos, erro que só foi detectado durante a aplicação do exame — e a falta de locais de prova na própria cidade, eles acreditam que vale a pena participar do processo seletivo. "O importante é fazer e passar", comentou Jéssica.