O G20 trabalhou o dia todo ontem na busca de um acordo que ponha a economia global de volta nos trilhos. Os trabalhos prosseguem hoje. O encontro vem sendo visto como uma chance de as nações ricas chegarem a um acordo sobre como renovar a economia global com forças emergentes como Índia e China. Mas os líderes pareceram pouco dispostos a se aventurarem muito além dos acordos alcançados por seus ministros de Finanças no mês passado.
Um fator de irritação nos dias antes da reunião foi o anúncio de que o Federal Reserve vai comprar US$ 600 bilhões para estimular a economia norte-americana, algo que mercados emergentes temem que vai gerar uma onda de entrada de investimentos em seus mercados, o que elevaria a inflação e os preços de ativos.
O G20 esperava utilizar um encontro de dois dias para recuperar a unidade construída durante o aprofundamento da crise há dois anos, com o objetivo de suavizar tensões cambiais geradas por desequilíbrios entre nações superavitárias e países que registram déficits comerciais.
Mas, mesmo com o presidente dos EUA, Barack Obama, expressando confiança de que os líderes vão encontrar uma fórmula para um crescimento mais equilibrado e sustentável, os negociadores discordaram quanto ao tom de um comunicado final a ser divulgado quando o encontro terminar, hoje.
Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem aos líderes do G20 que eles precisam “recuperar o espírito de cooperação e solidariedade” que existia em sua primeira reunião, há dois anos, em um reconhecimento tácito de que as divergências internas ameaçam a coesão do grupo.
“Quando nos reunimos há dois anos em Washington, enfrentávamos a maior crise do capitalismo desde 1929. Naquela ocasião, transmitimos ao mundo determinação e firmeza. Precisamos recuperar o espírito de cooperação e solidariedade daquele G20”, declarou o brasileiro no discurso que proferiu durante jantar com presidentes e primeiros-ministros do grupo em Seul.
Lula defendeu que os líderes das 20 maiores economias globais deem prioridade ao debate da guerra cambial, que se manifesta em uma corrida de desvalorizações de moedas por países que tentam estimular seu crescimento pela ampliação de sua fatia no comércio mundial. “Essa guerra exacerbará a crise sem produzir vencedores. Só haverá perdedores”, disse Lula, que se sentou ao lado do presidente da China, Hu Jintao.
Na negociação que antecedeu ao encontro de líderes, o Brasil pressionou para que o comunicado que será assinado hoje contemple a restrição da entrada de recursos externos por países que sofrem valorizações excessivas de suas moedas – um eufemismo para controle de capitais.
No discurso, o presidente ressaltou que o real se valorizou 80% em relação às moedas de seus principais parceiros comerciais e defendeu regimes cambiais flexíveis, que reflitam os fundamentos da economia.
Em entrevista coletiva concedida pouco antes do jantar, Lula propôs que integrantes do G20 consultem seus parceiros do grupo antes de adotarem políticas macroeconômicas que possam afetar o resto do mundo. “Não dá para cada um tentar resolver seus problemas sem levar em conta os reflexos na política dos outros países.”
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