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CORUMBÁ

Em mesa redonda, professor pede agilidade na divulgação de pesquisas

Em mesa redonda, professor pede agilidade na divulgação de pesquisas

Redação

13/11/2010 - 07h14
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Informações levantadas por pesquisadores precisam chegar de forma mais rápida ao setor produtivo. O pedido foi feito pelo professor Nilson de Barros, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), durante a mesa redonda “Atividades antrópicas no Pantanal: causas, efeitos e perspectivas”, realizada na tarde de quinta-feira (11) durante o 5º Simpan (Simpósio sobre Recursos Naturais e Socioeconômicos do Pantanal, em Corumbá (MS). A moderação foi da pesquisadora Raquel Soares.

Nilson disse que qualquer informação científica é importante para o produtor. “Mesmo que a informação seja pontual e preliminar, ela precisa ser divulgada. Ainda que deixe de ser verdade no futuro, já que, à luz da ciência, o que é verdade hoje pode não ser amanhã”, afirmou.

Ele argumentou que o Pantanal está sofrendo alterações relevantes e que os produtores não têm informações para respaldar essas mudanças. “Eles vão continuar provocando as alterações de acordo com o que pensam, porque não têm acesso a informações observadas pela pesquisa.” “Não podemos parar no tempo. Tempo é dinheiro”, afirmou o professor, que também é pecuarista e tem investido na produção de carne orgânica.
 Para o professor, a informação que interessa ao produtor é a tecnológica, que pode ser aplicada. “Ele não precisa do conhecimento básico.”
 Nilson falou sobre o processo de descaracterização da pecuária tradicional do Pantanal. Citou alguns aspectos que estão se perdendo, como as relações de confiança entre patrões e empregados, que mudaram com a legislação trabalhista.  “Antigamente o patrão cuidava do peão até o fim de sua vida. Na velhice, o empregado ganhava um pedaço de terra, na cidade ou na própria fazenda, para morar. Hoje, com a lei trabalhista, a responsabilidade pela aposentadoria passou a ser do Estado.”
 

Nilson abordou também as legislações ambiental e tributária. “Hoje, para se construir uma cerca, precisa de licença, vistoria, parecer técnico. Tudo isso tem um custo”, disse.

 O palestrante falou sobre um fenômeno que preocupa muito os pantaneiros: a troca de proprietários das fazendas. “Não somos contra a chegada de pessoas de fora. São bem-vindos. Mas eles trouxeram algumas novidades que alteraram o processo de produção. Eles não têm informações suficientes sobre o Pantanal.”
 

MINERAÇÃO

 A mesa redonda teve também a participação do engenheiro Paulo Sérgio Moreira Sales, do Cetem (Centro de Tecnologia Mineral), do Rio de Janeiro. Ele mostrou um pouco da estrutura do centro, que reúne cerca de 300 pesquisadores, bolsistas e estudantes de pós-graduação.
 Paulo disse que o Cetem está em busca de parcerias para o desenvolvimento da mineração sustentável e disse que duas já foram firmadas: com a Companhia Riograndense de Mineração e com o Siecesc (Sindicato da Indústria de Extração de Carvão do Estado de Santa Catarina).
 Essa última experiência foi relatada com mais detalhes em sua apresentação. Paulo contou que o sindicato representa dez empresas de mineração e que há 5 mil hectares de áreas degradadas em três bacias hidrográficas no sul de Santa Catarina. A exploração é feita lá há aproximadamente cem anos.
 O Cetem desenvolveu um projeto de recuperação, cuja gestão envolve todas as partes interessadas. A conclusão a que o centro chegou foi que soluções para a recuperação ambiental de áreas mineradas devem ser locais. Usualmente são complexas e envolvem projetos multidisciplinares.
 “A participação das partes interessadas locais é fundamental para o desenvolvimento e o sucesso do projeto de recuperação. Também é essencial que haja gestão integrada dos recursos”, apontou.
 Paulo afirmou que é possível o Cetem desenvolver algum trabalho na região de Corumbá, onde a mineração representa uma atividade economicamente importante.
 

SUSTENTABILIDADE

 Outra palestra desta mesa redonda foi com o analista Helano Povoas, da Embrapa Informática Agropecuária, que falou sobre o software FPS – Fazenda Pantaneira Sustentável, resultado de oito anos de pesquisas da Embrapa Pantanal para medir a sustentabilidade de propriedades rurais da planície.
 O Simpan termina nesta sexta-feira (12) e é uma realização da Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, ICS do Brasil (Instituto de Comunicação Social) e da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).  Tem correalização da Prefeitura Municipal de Corumbá e patrocínio da Petrobrás. Apóiam a iniciativa o Centro de Tecnologia Mineral, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ministério da Ciência e Tecnologia, Prefeitura Municipal de Ladário, Universidade Uniderp, Hotel Gold Fish, Seher Turismo, Centro de Convenções do Pantanal de Corumbá “Miguel Gomez” e Universidad Pública René Moreno do Governo Departamental de Santa Cruz/Bolívia.
  Informações levantadas por pesquisadores precisam chegar de forma mais rápida ao setor produtivo. O pedido foi feito pelo professor Nilson de Barros, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), durante a mesa redonda “Atividades antrópicas no Pantanal: causas, efeitos e perspectivas”, realizada na tarde de quinta-feira (11) durante o 5º Simpan (Simpósio sobre Recursos Naturais e Socioeconômicos do Pantanal, em Corumbá (MS). A moderação foi da pesquisadora Raquel Soares.
 

Nilson disse que qualquer informação científica é importante para o produtor. “Mesmo que a informação seja pontual e preliminar, ela precisa ser divulgada. Ainda que deixe de ser verdade no futuro, já que, à luz da ciência, o que é verdade hoje pode não ser amanhã”, afirmou.

 Ele argumentou que o Pantanal está sofrendo alterações relevantes e que os produtores não têm informações para respaldar essas mudanças. “Eles vão continuar provocando as alterações de acordo com o que pensam, porque não têm acesso a informações observadas pela pesquisa.”
 “Não podemos parar no tempo. Tempo é dinheiro”, afirmou o professor, que também é pecuarista e tem investido na produção de carne orgânica.
 Para o professor, a informação que interessa ao produtor é a tecnológica, que pode ser aplicada. “Ele não precisa do conhecimento básico.”
 

Nilson falou sobre o processo de descaracterização da pecuária tradicional do Pantanal. Citou alguns aspectos que estão se perdendo, como as relações de confiança entre patrões e empregados, que mudaram com a legislação trabalhista.  “Antigamente o patrão cuidava do peão até o fim de sua vida. Na velhice, o empregado ganhava um pedaço de terra, na cidade ou na própria fazenda, para morar. Hoje, com a lei trabalhista, a responsabilidade pela aposentadoria passou a ser do Estado.”

 Nilson abordou também as legislações ambiental e tributária. “Hoje, para se construir uma cerca, precisa de licença, vistoria, parecer técnico. Tudo isso tem um custo”, disse.
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