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Alunos aprendem que arte circense é também cidadania

Alunos aprendem que arte circense é também cidadania

Redação

14/11/2010 - 11h00
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Perna-de-pau, tecido, trapézio, rola-bola, malabarismo, cambalhota. Circo traz alegria pra muita gente, mas, para algumas pessoas em especial, traz muito mais do que isso. Para as crianças do Bairro Jardim das Hortências, no complexo Aero Rancho,em Campo Grande (MS), a arte circense traz cidadania, noções de convivência e trabalho em grupo, respeito e responsabilidade.

Há sete meses, os alunos do educandário Francisco Thiesen – que tem turmas do maternal até o 3º ano do Ensino Fundamental – passam parte do seu tempo rolando em colchonetes, andando em cima de pernas-de-pau ou penduradas em faixas de tecido suspensas no telhado. E o que eles acham disso? O máximo!

"Quando crescer quero ser professora de circo, igual o tio Ciro". Quem conta é a saltitante Kelly Ketlen, de 10 anos, pouco interessada em responder às perguntas enquanto se pendurava nas duas faixas de tecido vermelho. O "tio Ciro", a que ela se refere, é Ciro Ferreira, 41 anos de idade, 20 dedicados ao teatro e 6 dedicados à arte circense. Desde maio deste ano, Ciro dá aulas de circo para as crianças do educandário, transformando o tempo ocioso delas em verdadeiras lições de arte e cidadania.

"Não existe circo de uma pessoa só. Aqui elas aprendem que, se derrubarem alguém, elas caem junto", ilustra o professor. Além da moldagem moral, os alunos são beneficiados em questões como motricidade, espontaneidade e coragem frente a desafios. Um prato cheio para pais que querem ver seus filhos no "caminho certo" desde cedo.

As aulas de técnicas circenses complementam o quadro extracurricular do educandário, que oferece também ginástica artística, aulas de violão e atividades esportivas. Todas fazem parte de projetos da Organização Não-Governamental Obras Sociais Francisco Thiesen, mantenedora do educandário. Entre alunos e não-alunos, aproximadamente 400 crianças e adolescentes participam das atividades, sem contar as famílias diretamente envolvidas.

 

Obras sociais

Nasceu com a distribuição de sopa para famílias carentes na sombra de uma árvore, há 13 anos. Hoje, a ONG Obras Sociais Francisco Thiesen atua diretamente na educação e formação moral de mais de 350 crianças. Além das aulas e das atividades extracurriculares, todo sábado são realizadas ações de cidadania, no prédio da escola, com a comunidade.

De acordo com José Cláudio do Carmo, diretor do educandário, as obras e ações são mantidas graças a parcerias com os governos municipal e estadual, entidades como o Serviço Social do Comércio (Sesc), além de patrocínios de empresas como a Petrobras e o Banco do Brasil. "Hoje nós temos boas condições de trabalho graças a essas parcerias. Podemos oferecer uma proposta pedagógica diferenciada, com dedicação em tempo integral e foco na questão moral das crianças", explica.

Para conseguir uma vaga para a criança no educandário, a família precisa concordar com essa proposta pedagógica, que inclui o trabalho de questões morais através da visão espírita cristã e a necessidade permanente de participação da família em todo o processo educacional. "Enquanto a maioria das escolas se dedica exclusivamente à formação intelectual, nós nos preocupamos com a formação moral e social dos alunos. Não somos uma instituição laica, por isso levamos os valores religiosos para a sala de aula", explica José Cláudio.

O educandário tem autorização para oferecer até o 9º ano do ensino fundamental, mas não tem espaço. João Carlos Rosa, presidente da ONG, diz que a meta para 2011 é a construção de mais uma sala para abrir a turma do 4º ano. "Nossa missão é manter e ampliar o que já é oferecido. Quanto maior for o nosso alcance, melhores serão os resultados", declara.

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