Sinalização insuficiente e mal-instalada vem trazendo transtornos e comprometendo a segurança de usuários do trecho em obras da Via Morena, entre o início da Avenida Afonso Pena e o Aeroporto Internacional de Campo Grande. O maior foco de reclamações de condutores é o trecho situado entre a entrada da vila militar da Base Aérea e o aeroporto, onde a pista foi transformada em mão dupla, dividida por telas de PVC — em vários pontos, a divisória foi retirada para permitir conversões e a travessia da via, situação que aumenta o risco de acidentes de trânsito. Já no período noturno, condutores são obrigados a trafegar no escuro nas proximidades do aeroporto, por causa da precariedade da iluminação nas telas instaladas pela empreiteira responsável pelas obras nesse trecho.
A situação agravou-se nos últimos três meses, quando metade da antiga pista da Avenida Duque de Caxias foi interditada para pavimentação e alargamento da via no sentido bairro-centro e o tráfego de veículos passou então a ser escoado pela pista nova. Segundo denúncias de condutores, são constantes as “fechadas” entre veículos de passeio, motocicletas e de tráfego pesado na pista que está em mão única até a entrada da vila da Base Aérea, por causa da falta de sinalização divisória das faixas (etapa esta que só deve ser iniciada depois que a pavimentação asfáltica estiver concluída).
Depois desse ponto, a pista de três faixas é reduzida para apenas duas e outros problemas passam a acontecer. Segundo taxistas do aeroporto, é frequente o número de condutores de caminhões e ônibus que simplesmente recusam-se a dar passagem. “Você é obrigado a trafegar a 30 quilômetros por hora até aeroporto ou o centro”, denuncia um dos profissionais, que pediu para não ser identificado.
A abertura da tela divisória dos dois sentidos de direção é outro motivo de crítica. “A pessoa para numa via de trânsito rápido, olha para um lado e outro e entra, com o risco de alguém bater na traseira do carro dela. Se você não prestar atenção e tiver um bom carro, pode dar ‘batida’”, comentou outro taxista. Para os profissionais, que diariamente estão circulando pela Via Morena, deveria haver o fechamento de toda a tela, restringindo os retornos e conversões à rotatória da frente do Aeroporto.
O motorista Alcides Bogado, de 43 anos, que trabalha em uma locadora de automóveis, também preocupa-se com as condições do trânsito da via. Ele conta que costuma sair de madrugada para fazer ‘transfer’ com turistas e como a avenida está mal sinalizada, não há como visualizar direito e os riscos de acidente são grandes, principalmente no trecho dividido por telas. “Ficou muito estreito e não não há iluminação em toda a extensão da tela. É um risco para os turistas que estão chegando à cidade. O jeito é fazer um mapa para o cliente e há casos em que estamos ‘comboiando’ o veículo até a Afonso Pena”, contou.
Embora não faça com frequência o trajeto em obras da Via Morena, o caminhoneiro Hugo Cerezino, de 31 anos, considera que ficou mais difícil trafegar pela nova avenida por causa da interdição para obras. Para ele, a situação se agrava por causa do comportamento dos próprios motoristas, que abusam da velocidade e desrespeitam as normas de trânsito, mesmo sabendo que o trecho está em obras. “Essa é a única via de escoamento para quem mora no Serradinho e bairros ali da região irem para o centro da cidade, mas a maioria dos motoristas não respeita (as regras de trânsito)”, comentou.
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Segurança do trânsito comprometida em trecho da Via Morena
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