Usar preservativos é um mal menor que transmitir o vírus HIV para um parceiro sexual – mesmo que isso signifique que uma mulher evitou uma possível gravidez, disse o Vaticano ontem, sinalizando uma grande mudança no ensinamento papal, como foi explicitado em comentários do papa Bento XVI no final de semana passado.
O Vaticano tem sido criticado há muito tempo por sua oposição ao uso dos preservativos, principalmente na África, onde a Aids é muito espalhada. Mas a mais recente interpretação dos comentários de Bento XVI sobre os preservativos e o HIV significam, essencialmente, que a Igreja Católica Romana reconhece que sua postura de longa data contra o uso dos preservativos como método contraceptivo não justifica colocar a vida de alguém em risco.
"Essa é uma mudança", disse o reverendo James Martin, um jesuíta e escritor. "Ao reconhecer que as camisinhas ajudam a evitar que o vírus HIV se espalhe entre as pessoas nas relações sexuais, o papa mudou completamente a discussão dos católicos sobre o preservativo".
A mudança acontece no dia em que funcionários das Nações Unidas para a Aids informaram que o número de novos casos de infecção pelo HIV caíram significativamente, graças ao uso dos preservativos.