"Quero trabalhar para ajudar meus pais", conta a estudante Hellen Fernanda Lemos Diniz, 15 anos, que na manhã de ontem deu o primeiro passo para conquistar seu objetivo. Ela e outras diversas pessoas estiveram no Instituto Mirim de Campo Grande para garantir uma das 6 mil senhas para entrevistas com profissionais responsáveis pelo processo de seleção. Quem for aprovado em uma das 1,5 mil vagas ficará de seis meses a um ano tendo aulas de informática, ética, filosofia, rotina administrativa, português e matemática, de acordo com Denise Castro, diretora executiva do Instituto Mirim.
As senhas foram distribuídas até às 17 horas. Depois de garantir a entrevista, os interessados eram levados em grupos para o ginásio da instituição, onde recebiam informações sobre os critérios de seleção. O atendimento foi rápido. Segundo Denise, este ano há uma novidade: a avaliação psicológica. "Não é mais prova. O adolescente é analisado por uma equipe de psicólogos que avaliam o interesse dele em ser aluno. Porque às vezes, mãe e pai quer, mas o aluno não".
As entrevistas serão realizadas entre os dias 7 e 17 de dezembro. A relação dos aprovados sai na última semana de janeiro e as aulas começam em fevereiro. Além de realmente querer ser um "mirim", o interessado precisa ter entre 14 e 15 anos e meio; estar estudando regularmente; ter boas notas e ser de baixa renda. Ao término do curso o jovem é encaminhado para o mercado de trabalho onde recebe um salário mínimo por mês. Ele fica sob a responsabilidade do Instituto Mirim até completar 18 anos.
Para garantir uma vaga na instituição, Hellen acordou às 5 horas e às 6 horas já estava na fila para retirada das senhas do Instituto Mirim. "Vale à pena. Falam que é bom", afirma a adolescente que sonha em ser médica.
O casal Miriam Leite dos Santos, 37 anos, e Adolfo Grajeda Rojas, 42 anos, agendou entrevista para a filha de 14 anos. "Ela tem muita vontade de trabalhar", disse Adolfo.