A Polícia Militar divulgou no final da tarde de ontem balanço das operações do dia. Duas pessoas morreram e três ficaram feridas em confronto com os militares. Quatro armas, oito coquetéis molotov, além de uma garrafa de gasolina foram apreendidas. Entre os mortos, está o chefe do tráfico do Morro da Fazendinha, em Inhaúma, uma das favelas do Complexo do Alemão, identificado como Thiaguinho G 3.
A polícia apreendeu 3,2 toneladas de maconha apenas anteontem na comunidade. Lima Castro confirmou que foi encontrada na favela uma espécie de "enfermaria do tráfico", uma casa com estrutura razoável para receber bandidos com ferimentos mais graves.
Homens do Bope (Batalhão de Operações Especiais da PM) apreenderam três fuzis, duas metralhadoras, um revólver, mais de 1.200 munições, bombas caseiras e duas granadas. Também foi apreendida uma farda cinza sem identificação.
A Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis do Rio de Janeiro apreendeu mais de 200 motos roubadas que eram utilizadas pelos traficantes da Vila Cruzeiro, na Penha, uma das nove favelas que compõem o Complexo do Alemão.
Já os policiais do 16º Batalhão (Olaria), apreenderam uma submetralhadora 9 mm, de fabricação italiana, um fuzil .30, um fuzil 762 (FAL), uma granada, 33 bombas caseiras, 15 mil papelotes de cocaína prontos para a venda, 57 kg de maconha, uma balança de precisão, três coletes a prova de bala, seis fardas semelhantes às utilizadas pelo Bope e seis pares de coturno.
Balanço
De acordo com o último balanço da PM, desde domingo, dia do início dos ataques em série dos criminosos, 96 veículos foram incendiados, entre eles, vários ônibus. Nos seis dias de conflito entre policiais e traficantes até ontem, a PM diz que foram apreendidas dezenas de armas, granadas, drogas e garrafas de gasolina. Pelo menos 217 pessoas foram presas ou detidas e 34 pessoas foram mortas.
Cerco
O coronel Lima Castro, porta-voz da Polícia Militar, afirmou que o cerco formado por 1.500 homens do Exército, Marinha e das policiais Militar, Civil e Federal ao Complexo do Alemão foi finalizado e que os traficantes já estão encurralados. As forças de segurança estão de prontidão em 44 saídas do conjunto, mas o porta-voz disse que não há pressa para entrar nas favelas.
"Estamos no coração da facção", afirmou Lima Castro, referindo-se ao Comando Vermelho. "O tempo é favorável a nós. Uma das táticas utilizadas quando se tem que tirar alguém de um território é a inquietação", disse. A estimativa da polícia é que cerca de 500 traficantes estejam no conjunto.
Segundo Lima Castro, essa concentração de bandidos já era esperada e faz parte da estratégia de pacificação das favelas cariocas.