O comandante-geral da PM do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte, afirmou ontem que os traficantes que estão no complexo de favelas do Alemão, na zona norte da capital, “devem se entregar enquanto há tempo”. “Depois que entrarmos, as coisas vão ser extremamente complicadas”, disse o policial. Segundo ele, isso vai ocorrer “a qualquer momento”. Ele não descartava a possibilidade de invadir o morro durante a noite dizendo que as forças oficiais têm equipamentos para isto.
Uma hora depois deste ultimato, o diretor-executivo do Grupo AfroReggae, José Junior, chegou à Favela da Grota, para conversar com traficantes. Entrou informando apenas que tinha que “resolver um assunto sério” e subiu a favela acompanhado por cinco homens por uma das ruas transversais da Avenida Itararé, uma das principais do complexo. Meia hora depois saiu dizendo que mais tarde poderia comentar alguma coisa. Júnior, que há 15 anos media conflitos em favelas do Rio, tem excelente relação com o governador do Estado, Sérgio Cabral Filho (PMDB), e seu vice, Luiz Fernando Pezão.
PMs e militares das Forças Armadas continuam fazendo contenções nas entradas das favelas. “Estamos chegando aos momentos finais para a retomada do Alemão. Estaremos do lado de fora por muito pouco tempo. Aqueles que querem se render devem fazer isso agora”, declarou o comandante-geral da PM.
Para Duarte, “não há nenhuma chance de os traficantes serem bem-sucedidos na tentativa de defesa do território”. “Nossas forças têm toda a superioridade neste momento; homens, equipamentos e munição com apoio de blindados e apoio aéreo”, disse o coronel.
Com a figura de uma caveira, símbolo do Batalhão de Operações Especiais (Bope), da PM, colada no peito, o comandante-geral disse que a população dessas favelas deve ficar abrigada em casa para se proteger. Ele avisou que, para receberem o “tratamento que a lei determina”, os traficantes “devem levantar suas armas e sair com armas e mãos sobre a cabeça”. “Algumas lideranças já estão tentando fugir. Eles não são capazes de oferecer resistência. Estamos determinando sua rendição”.
Referindo-se aos ataques com incêndios de carros e ônibus, Mário Sérgio disse que “um erro estratégico” dos criminosos acabou precipitando a operação no Alemão, e reconheceu que não há efetivo para a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no local.
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