Para Luiz Antônio Veiga Luz, de 22 anos, que já passou por duas empresas e agora aguarda nova colocação profissional por meio da Funtrab, a obrigatoriedade da reserva de vagas "é boa, porque não é todo lugar que dá oportunidade de trabalho para a pessoa com deficiência". O jovem, que é egresso do Instituto Mirim de Campo Grande e tem deficiência em uma das mãos e nos pés, conta não ter enfrentado dificuldades em ingressar no mercado de trabalho por suas condições físicas, mas sim pela falta de experiência. "Demorei um ano e meio para conseguir o primeiro emprego. As empresas alegavam que precisavam de gente com experiência acima de seis meses", contou.
A primeira oportunidade, como auxiliar de caixa em um supermercado da Capital, surgiu após ele cadastrar-se na Fundação Social do Trabalho (Funsat), mantida pelo município. "Saí de lá como repositor", comentou. O motivo do desligamento do emprego foi a distância — Luiz Antônio mora na região da saída para São Paulo e tinha que se deslocar até a saída para Cuiabá para poder trabalhar no local.
Em maio do ano passado, o jovem procurou a Funtrab e logo conseguiu emprego em uma transportadora, como conferente, mas a função acabou lhe trazendo problemas de saúde. "Eu tinha que ficar de nove a dez horas em pé", relatou. Luiz Antônio conseguiu ser transferido para outro setor, até ser desligado da empresa no mês passado. Casado e com dois filhos, ele tenta agora uma vaga de auxiliar de escritório. "Algo que não prejudique a minha saúde", comentou.
Durante sua passagem por essas empresas, Luiz Antônio afirmou nunca ter recebido tratamento discriminatório por parte da chefia. Inclusive, no último local em que trabalhou, havia mais quatro colegas com outros tipos de deficiência. "Eu sentia que alguns trabalhadores tinham preconceito, achavam que ‘você não consegue’ (dar conta do trabalho). Mas eu ia lá e fazia. Não é porque sou assim que sou menos capaz", concluiu. (DA)