Um cabo da Polícia Militar (PM) lotado no Gabinete do Comando-Geral da corporação está sendo investigado por dar abrigo ao primo, um dos mais procurados assaltantes de carros e cargas do Estado. Edson Ventapane da Silva, de 36 anos, o "Mãozinha", que integrava o bando do 157, foi preso ontem na casa da tia – mãe do cabo.
A quadrilha do acusado cometia roubos por toda a cidade e se refugiava nas favelas do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, ocupada pela polícia e Forças Armadas desde o último dia 28. O cabo e a mãe dele, cujos nomes não foram revelados, foram indiciados na Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) por favorecimento pessoal (prestar auxílio a autor de um crime).
"Os dois foram indiciados e as investigações continuam", disse o delegado-adjunto da DRF, Marcelo Martins. No momento da prisão, os agentes encontraram uma farda do cabo na casa da mãe dele, onde o primo estava escondido. Mãozinha é acusado pelo assassinato de dois policiais militares em uma tentativa de assalto a um caminhão de cigarros, em fevereiro deste ano. A quadrilha dele também é investigada pela morte de outros cinco policiais nos arredores do Complexo do Alemão.
Mãozinha é irmão do líder da quadrilha, Emerson Ventapane da Silva, de 37 anos, o "Mão", preso durante a ocupação do Alemão e transferido para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no oeste do Paraná. Em abril, o criminoso e seus comparsas teriam sido liberados por policiais militares mediante o pagamento de R$ 200 mil e quatro fuzis. O caso está sendo investigado pela Corregedoria da PM. Quatro dias depois da suposta liberação, a quadrilha assassinou outro policial militar
Ontem, o policial prestou depoimento na Corregedoria da PM. De acordo com comandante-geral da corporação, coronel Mário Sérgio Duarte, o cabo era responsável pela escala de motoristas do gabinete do comando-geral. Segundo ele, o policial militar se apresentou voluntariamente para falar sobre o caso, explicou que não morava mais na casa da mãe e não tinha convívio com o primo. Em nota, a PM divulgou que o policial mora "em endereço próprio com a esposa e filhos".