O ex-prefeito de Dourados, Ari Artuzi, preso durante 93 dias depois de escândalo que abalou o cenário político da segunda maior cidade do Estado, negou envolvimento com fraudes em licitações à frente da prefeitura e diz que foi vítima de uma armação entre o então secretário de comunicação e principal homem do Executivo Municipal, Eleandro Passaia e a Polícia Federal. As declarações foram feitas durante entrevista que foi ao ar nesta quarta-feira pela TV Morena, afiliada da Rede Globo de Televisão.
Segundo ele, tudo não passou de uma “armação feita com várias pessoas”. Artuzi ressalta que “sozinho esse cara [referindo-se a Passaia] não faria nada”. Apesar disso o ex-prefeito diz não suspeitar de mais ninguém e sustenta que seu ex-secretário deveria dizer a mando de quem ele promoveu tudo. “Ele é quem tinha que ser indiciado”, afirmou.
Sobre as imagens em que ele e a esposa Maria Artuzi aparecem recebendo a quantia de R$ 20 mil Ari Artuzi se explica afirmando que o dinheiro era da venda de um terreno particular. “Tenho a escritura que foi passada. Por isso que minha esposa aparece dizendo que era pouco, porque ela sabia que ia receber R$ 20 mil”, explicou. De acordo com ele, Passaia tinha conhecimento sobre a venda do terreno e foi junto da pessoa que repassaria o dinheiro para filmar, já pensando na armação.
Artuzi diz que desconhece as negociatas demonstradas em imagens onde os vereadores aparecem recebendo dinheiro e até mesmo, comemorando. “Tem que perguntar pro Passaia, ele deve saber. Só ele pode falar pras pessoas onde ele pegou aquele dinheiro porque de mim não foi”, reclamou.
A respeito de bens orçados em pelo menos R$ 1 milhão o ex-prefeito alega que tudo é fruto de vendas que fez de terrenos, sítios, casas na cidade de Dourados. “O que importa é tentar caluniar. Ninguém foi investigar os bens que eu tinha vendido. Falam que eu tenho várias fazendas, mas eu só tenho um sítio”, argumentou.
“Um dia vai ser mostrado que foi o Passaia que armou tudo isso com a Polícia Federal e eu sei que ficou ruim pra mim, muito ruim pra mim”, afirmou durante a entrevista. “Tudo isso é mentira, é montagem”, reclamou. Sobre as possíveis ameaças de morte que vinha sofrendo Ari Artuzi nega e diz que tem andado todos os dias por ai. “Se alguém quisesse me matar era só ir lá no eu sítio e me dar um tiro, não tenho de sair daqui”, finalizou.
Sua renúncia, segundo ele, foi arquitetada juntamente de seus advogados como maneira de forçar novas eleições diretas no município. “Seu eu não renunciasse agora, ano que vem não podia ter eleição direta e os vereadores iriam continuar ali e a cidade se perdendo”, concluiu.
Ari Artuzi foi preso no dia 1º de setembro deste ano em operação da Polícia Federal denominada Uragano. Com ele, a esposa, vereadores, secretários municipais e servidores públicos municipais também foram detidos forçando uma reforma total na prefeitura de Dourados, que hoje está sob o comando da prefeita Délia Razuk. Ele foi liberado da prisão por determinação do Tribunal de Justiça do Estado no dia 2 de dezembro, um dia após ter renunciado ao mandato de prefeito de Dourados. Artuzi estava no presídio Federal de Campo Grande.