O narcotraficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, negou que tenha escrito carta a comparsas no Rio de Janeiro determinando o sequestro de uma pessoa de peso político em troca da liberdade do miliciano Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, recluso no Presídio Federal de Campo Grande. A informação é do advogado Gustavo Battaglin. Coincidentemente, Beira-Mar foi transferido de penitenciária depois que a polícia passou a investigar o conteúdo da carta, na qual a autoria é atribuída a ele.
Segundo a defesa, ao saber que está sendo apontado como autor do bilhete, o narcotraficante teria dito: "Não! Estão dizendo que a gente tem ligação com miliciano?". Ainda conforme o advogado, Beira-Mar ficou surpreso ao saber do conteúdo da carta porque, segundo o preso, todos do Rio de Janeiro sabem que não existe parceria entre traficantes e milicianos. "Foi coincidência. O juiz tinha que analisar a permanência do Luiz Fernando e ele não menciona na sua decisão essa carta", garantiu.
Ainda de acordo com Gustavo Battaglin, especialistas em questões relacionadas a facções criminosas e tráfico de drogas descartam qualquer possibilidade de ligação entre tráfico e milícia porque quando os milicianos dominaram áreas no Rio de Janeiro eles declararam guerra e expulsaram traficantes. "É difícil imaginar esta ligação porque eles são historicamente inimigos. Traficantes que tiveram seus companheiros mortos por milicianos não se aliariam. Essa carta pode ser invenção ou interpretação equivocada porque poderia não ser dele, mas sim de alguém da milícia", sugeriu. (VS)