Cidades

"Aprendi fazendo"

Após Panamericano, Sandoval escreve livro

Após Panamericano, Sandoval escreve livro

Redação

26/12/2010 - 04h10
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"Aprendi fazendo" é o título do livro que o advogado e administrador de empresas Luiz Sebastião Sandoval, de 66 anos, está começando a escrever. "Eu conto histórias, eu sou um contador de histórias", ele diz. Não é uma autobiografia, adianta. "É um livro de administração, sou um palestrante. Eu subo no palco e vou no gogó".

Vai relatar os 40 anos de parceria com Silvio Santos e seus primeiros desafios, ainda na infância, quando acompanhava as peregrinações do pai, mineiro de Muzambinho, mascate e seu exemplo. Vai contar quando e porquê decidiu ser advogado, ainda menino. Ele tinha 8 anos e acompanhou o pai numa visita a uma fazenda no interior de São Paulo. Sandoval lembra. "Meu pai chegou à fazenda e conquistou todo mundo. Fez uma pregação religiosa e as donas de casa fizeram doações. Eu recolhi galinhas, ovos, arroz e feijão. Meu pai vendeu suco de cérebro aquele dia. Advogado vende soluções. Aí resolvi que um dia ia ser advogado, eu gosto da advocacia".

Mesmo assim, estudou também administração de empresas, virou executivo e nunca exerceu a advocacia.

Sandoval não esconde a angústia que tem vivido depois que seu nome apareceu na lista de alvos da Polícia Federal. Incomoda-o muito a pecha de suspeito. Não se conforma, por isso não quer deixar nada sem explicação.

"Wilson de Aro é quem tocava o banco, ele começou no grupo como office boy há quase 40 anos", afirma Sandoval. "Não dá para entender como é que ele entrou nessa confusão. Eu sentei com ele e disse que não conseguia entender como um homem de confiança colocou em risco o grupo. Eu perguntei: ‘Wilson, por que você fez isso?’. Ele começou a chorar".

Em seu relato, Sandoval aponta passo a passo como a crise derrubou os principais dirigentes da instituição. Sua preocupação maior é deixar expresso que Silvio Santos não acompanhava as empresas e ele presidia a holding do grupo e do conselho de administração do Panamericano. "Nunca estive na gestão das empresas e, no caso do banco, a gente não desce na contabilidade. Para essas coisas tem a diretoria. O que aconteceu foi um ato de gestão. Nem Silvio nem eu estávamos na gestão das empresas".

Em meio a tanta tensão, uma coisa o conforta – a carta que Silvio enviou, de punho próprio, agradecendo por sua colaboração e o "trabalho brilhante". "Lavou minha alma", diz Sandoval.

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