Pesquisa de Orçameto Familiar dos anos de 2008 e 2009 divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) revela que o sul-mato-grossense tem consumido menos arroz e feijão. Se nos anos de 2002 e 2003 a pesquisa apontava um consumo de 34 quilos per capita de arroz, dados recentes revelam que a quantia caiu para 11,5 quilos. Igualmente está o consumo do feijão-rajado que na pesquisa anterior registrou 4,728 quilos e nesta já tem 3,572 quilos.
A pesquisa mostra ainda que o gasto com alimentação em Mato Grosso do Sul é o 8º menor do País com 18,6%. Em primeiro lugar na lista dos gastos está o Distrito Federal com 16%. Em média, a despesa familiar com alimentação em Mato Grosso do Sul é de R$ 368,15.
Os hábitos alimentares do sul-mato-grossense teve um aumento no quesito consumo de produtos industrializados. Apesar da queda observada no consumo de arroz e feijão temos o aumento no consumo de produtos como batata frita, massas, refrigerantes e bombons.
Se nos anos de 2002 e 2003 o Estado ocupava o 13º lugar no ranking do consumo de batatas fritas com 33 gramas per capita anual, nos dois últimos anos o MS subiu para o 5º lugar com o cnsumo de 149 gramas.
Nutrição
Para a nutricionista Andréia Gomes Martins João, os hábitos estão ligados diretamente à “correria” do dia-a-dia. “Com isso, aumenta a procura por pratos mais rápidos, os chamados fast foods. É mais rápido, mais prático”, afirmou. Para ela, outras pessoas são mais distraídas quando o assunto é saúde e com isso crescem os problemas relacionados ao aumento de colesterol. “As pessoas não sabem o risco que isso representa à saúde e vão observar apenas quando estiverem com o colesterol alto”, lembra.
Para a profissional em nutrição o grande risco do consumo exagerado de batatas fritas, pães e outros é que se tratam de carboidratos refinados, aumentam o ganho de peso e vêm com altos índices de gordura, o que possibilita o surgimento de doenças cardíacas.
Crianças
Influenciados pelo comportamento alimentar dos pais e pela mídia recheada de propagandas com sanduíches e lanches nada saudáveis. “Temos acompanhado frequentemente a vida de crianças com três anos ou mais que já sofrem com taxa alta de colesterol”, explica Andreia. Para ela, esse tipo de problema não era frequente em crianças anos atrás, “era coisa para adultos com mais de 40 anos”, afirmou.
Ganho de peso
Entre os anos de 2002 e 2003 a população masculina com excesso de peso no Estado era de 48,8%, ocupando o segundo lugar no ranking nacional, ficando atrás apenas do Estado do Rio Grande do Sul com 49% da população. Já entre as mulheres a situação era diferente. Elas estavam em 9º lugar no País com 40,1% da população acima de 20 anos de idade.
Hortaliças e frutas
Apesar do aumento no volume do consumo diário de industrializados cresceu também no Estado a procura por produtos de origem vegetal como as hortaliças passando de 24,761 quilos no biênio 2002-2003 para 31,148 em 2008 e 2009. Cresceu também o consum de frutas, passando de 18,267 quilos per capita para 28,429 na relação dos quatro anos. O destaque vai para os produtos locais como a melancia, banana d´água, laranja, banana maça e maracujá.
Condimentos
Ainda conforme os dados do IBGE o Mato Grosso do Sul ocupa o quinto lugar no ranking do consumo de condimentos como ervas, legumes, especiarias, sal e pimenta com 3.598 quilos per capita por ano, ficando atras do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina.