A mulher encontrada morta na zona rural de Terenos (27 quilômetros de Campo Grande) na manhã de segunda-feira foi identificada como Cleuza dos Santos Correa, 34 anos. As evidências levam a autoria do crime para o ex-marido dela, Manoel Batista de Souza, 50, já preso. Ela foi assassinada com uma facada no abdômen, provavelmente na madrugada de segunda. O caso integra as preocupantes estatísticas de violência contra mulheres nos primeiros dias de 2011. Só em Campo Grande, segundo a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher da Capital, foram registrados de 01 a 10 de janeiro, 144 boletins de ocorrência relatando crimes cometidos contra elas, como ameaças e lesões corporais.
No caso de Terenos, testemunhas relataram que viram o casal em um bar nas proximidades da residência de Manoel, localizada no Recanto Nuara a cerca de 70 quilômetros de Terenos. Eles haviam se separado há 7 anos e tinham em comum 5 filhos, que ficaram com o pai.
Cleuza mudou-se para São Gabriel do Oeste depois da separação e desde novembro de 2010 estava em Terenos na propriedade do ex e dos filhos numa tentativa do casal de reconciliação. No entanto, na noite do último domingo ambos estavam em um bar e segundo relatos de testemunhas houve cena de ciúmes de Manoel por conta de uma conversa da mulher com outros homens que estavam no local.
Uma filha do casal teria testemunhado a briga deles a caminho de casa, tendo visto inclusive que o pai chegou a ameaçá-la e a agredi-la fisicamente. Depois disso, no outro dia de manhã, o corpo dela foi encontrado nas imediações da casa do ex-marido, com sinais de lesões – como hematomas no pescoço – e a facada no abdômen.
O ex foi preso na tarde de segunda-feira, nas imediações do local do crime, portando 4 facas. Numa delas havia muitas marcas de sangue e exames vão comprovar se são correspondentes com a tipagem sanguínea da mulher morta. Ele nega a autoria do crime.
Estatísticas preocupantes
Na semana passada, dois casos de violência contra mulheres noticiados pela mídia tiveram repercussão no Estado e demonstram que a polícia já tinha conhecimento de que ambas estavam sendo ameaçadas pelos ex-companheiros. No primeiro caso, ocorrido no dia 5 de janeiro em Campo Grande, E.B.C., 56 anos, conseguiu atear fogo no veículo Gol da ex-exposa, Z.F.N., 36 anos, numa emboscada.
E. e Z. foram casados por 15 anos e há 1 ano e 8 meses estão separados em razão dos frequentes espancamentos que a mulher sofria. Ela já registrou seis boletins de ocorrência contra o ex-marido por ameaça e agressão. Ele não foi localizado pela polícia pelo crime de incêndio e a mulher teme por sua vida, uma vez que o ex prometeu matá-la. Noutra ocorrência, nem mesmo uma decisão judicial que protegia Vandinamar Tatiane dos Santos Amaral, 32 anos, do ex-marido Adair Maciel Barbosa, 45, foi suficiente para impedi-lo de tentar matá-la. Depois de atirar contra Vandinamar, Adair suicidou-se, disparando um tiro na cabeça. O crime aconteceu também no dia 5, em Jaraguari, cidade localizada a 50 quilômetros de Campo Grande. Vandinamar foi trazida para a Santa Casa da Capital, mas já teve alta hospitalar.
A delegada, Suzimar Batistela, da Delegacia Especializada da Mulher em Campo Grande, observa que “na maioria dos casos, as mulheres que são agredidas fisicamente, assassinadas ou mesmo sofrem tentativa de homicídio já haviam registrado boletins de ocorrência de ameaça contra o autor”.
Nestes casos, a mulher pode pedir proteção judicial onde é possível prever uma distância física entre o casal. A polícia também pode requerer a prisão preventiva de quem ameaça a mulher, se houver histórico de agressões contra ela. “A Lei Maria da Penha já prevê a detenção da pessoa se houver ameaças e antecedentes criminais. Cumprimos mandatos quase todos os dias”, diz a delegada. No caso de Z. nenhuma das duas medidas foi tomada, mas a delegacia não soube informar o motivo. (MR)
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