Além de famílias destroçadas, a tragédia na Região Serrana do Rio também deixou muitos animais feridos e abandonados em todas as cidades atingidas pelas chuvas. Para tentar ajudar cães, gatos, coelhos e cavalos, vítimas da devastação da área, ONGs de todo o País estão se organizando para doar remédios, rações, água e potes, além de posteriormente conseguir famílias para abrigá-los.
"Estamos organizando um mutirão para ajudar", conta Liliam Queiroz, da Associação Protetora dos Animais Oito Vidas, que seguiu para Teresópolis, onde a amiga Bebete Filp, da ONG Estimação, está trabalhando num galpão improvisado de abrigo para animais, acolhendo dezenas deles, no Bairro do Meldon.
Bebete tem um canil com mais de 300 cães na cidade. São dezenas de cães abandonados. Muitos pertenciam às pessoas que faleceram na avalanche, outros foram abandonados por estarem em área de risco.
Veterinários
Associações e veterinários lançaram uma campanha para salvar os animais vítimas da tragédia que atingiu a região serrana do Rio de Janeiro. "Uma equipe está chegando da Costa Rica com especialistas em resgate de animais em grandes catástrofes e outros veterinários para atender os animais que precisam de ajuda, cachorros, gatos, cavalos e até animais silvestres", explicou a veterinária Margarida de Oliveira, que prevê montar um hospital de campanha na região a partir de hoje.
"Não pensávamos que receberíamos tanta solidariedade. Tenho três toneladas de ração animal em minha casa, pensava em ir de carro para a Serra do Rio, mas agora preciso de um caminhão", contou a veterinária paulista, que todos os anos percorre os povoados mais pobres da Amazônia e regiões remotas para atender os animais necessitados.
Especialistas da Sociedade Mundial para a Proteção Animal (WSPA) coordenam a ação na Serra do Rio, como já fizeram no Haiti depois do terremoto. "Em um ano, depois do terremoto, foram atendidos e tratados no Haiti mais de 50.000 animais", explicou à AFP Solange Ribeiro, coordenadora da WSPA e que organiza a campanha na cidade do Rio de Janeiro.
"Temos informações de que há muitos animais em situação deplorável, brigando por comida, com fraturas, abandonados, pois mesmo seus donos não podem cuidar deles. Sabemos que a prioridade da tragédia é salvar vidas humanas, mas os animais são nossos melhores amigos, eles não nos abandonariam e nós não vamos abandoná-los", enfatizou.
Entre os relatos, além de animais "órfãos" de seus donos, há muitos deixados para trás por famílias que foram viver em abrigos e não têm como levá-los. Alguns vagam pelas ruas e há ainda os que ficaram em escombros ou presos, sem água nem comida, em casas em que já não vive mais ninguém.
Em meio à devastação da região serrana, uma imagem comoveu o país este fim de semana: um cachorro chamado Leão que não se afasta há três dias do túmulo onde foi enterrada sua dona, Cristina Maria Cesário Santana, num cemitério de Teresópolis.