Cidades

QUEBRA DE BRAÇO

Prefeitura briga com Igreja e Cruz Vermelha por doações

Prefeitura briga com Igreja e Cruz Vermelha por doações

Redação

18/01/2011 - 05h00
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De um lado, donativos que chegam às toneladas de todo o País. De outro, a falta de entrosamento entre a prefeitura de Teresópolis e organizações que tentam fazê-los chegar de modo mais eficiente a quem precisa, como a Cruz Vermelha e a Igreja Católica, cuja iniciativa, dizem voluntários, está sofrendo obstrução pelo poder público. Até médicos foram impedidos de trabalhar.

Voluntários da Cruz Vermelha afirmaram ontem que funcionários da prefeitura tentaram impedir a saída de carregamentos do galpão montado pela organização internacional no centro. A prefeitura nega. "Está acontecendo uma briga de egos aqui em Teresópolis. A prefeitura determinou que nada pode ser entregue sem sua autorização", disse Jairo Gama, um dos cem voluntários da Cruz Vermelha.

Em uma reunião com a organização, a prefeitura afirmou que vai centralizar a entrega do material. A Cruz Vermelha, no entanto, diz ter condições de fazer um trabalho mais direcionado, já que dispõe de informações precisas sobre as necessidades de cada localidade. Apesar da intervenção da prefeitura, a Cruz Vermelha continuou fazendo entrega de material ontem - montou um ponto de distribuição em outro ponto da cidade. "O que a gente quer é evitar o desperdício. Por exemplo: não adianta entregar 30 quilos de arroz a uma pessoa de uma vez só", disse Luiz Alberto Sampaio, presidente da Cruz Vermelha no Rio.

O prefeito de Teresópolis, Jorge Mário Sedlacek, negou problemas de entendimento. "Uma operação como essa precisa de um comando centralizado. Está todo mundo cooperando. Não temos dificuldade com ninguém."

Também há relatos de que médicos que estão em Teresópolis para prestar atendimento gratuito à população foram impedidos por funcionários da prefeitura de sair da base da Cruz Vermelha. Isso ocorreu ontem de manhã. À tarde, na reunião, ficou definido que a Cruz Vermelha atuará no atendimento nas cinco localidades mais castigadas.

A prefeitura também está sendo acusada de impedir a distribuição de donativos por parte da Igreja Católica. Segundo o padre Paulo Botas, integrantes da comunidade católica que foram até o estádio Pedrão, usado como abrigo, ouviram de funcionários municipais que "nenhuma igreja católica de Teresópolis vai receber doações". A prefeitura desmente a informação.

"O prefeito é evangélico e não quer que a ajuda vá para os católicos", diz o padre. O padre Mario José Coutinho, decano da Diocese de Petrópolis, afirma que a situação é de boicote à Igreja Católica. "Isso é surreal, uma ofensa, uma vergonha. Transformaram uma questão humanitária em religiosa."



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