Dezenas de milhares de pessoas oravam na praça Tahrir, no centro do Cairo, enquanto os manifestantes anti-Mubarak se preparavam para um novo megaprotesto nesta sexta-feira. A manifestação, que foi denominada "Dia da Partida", traz consigo a esperança de que este seja o último golpe para a queda do presidente Hosni Mubarak. "É um movimento egípcio. Todo mundo participou, tanto muçulmanos como cristãos, para exigir os direitos que lhes roubaram", declarou o imã que liderava as orações, Khaled al Marakbi. "Não temos um partido que nos represente e expresse nossas reivindicações. Aquele que quiser negociar, que venha aqui para falar. Estamos livres e queremos viver livres. Peço que tenham paciência até a vitória", completou. O imã chorou ao lembrar os mortos nos protestos do país, que já duram 11 dias.
Segundo a ONU, 300 pessoas morreram desde 25 de janeiro, às quais se somaram ao menos oito vítimas dos confrontos entre partidários e adversários de Mubarak na batalha campal de quarta-feira na praça Tahrir. Tão logo acabou a cerimônia, as pessoas começaram a gritar "vá embora, vá embora já" para pedir a renúncia do presidente, de 82 anos, que está há 30 anos no poder. Segurança - Os manifestantes estão cercados de fortes medidas de segurança. Os egípcios se organizaram em uma ponte sobre o Nilo que conecta a ilha de Zamalek com o centro do Cairo, o único ponto aberto até a praça Tahrir.
Para se chegar ao local por essa entrada é preciso passar por cinco controles de segurança, montados por militares e civis que pertencem aos próprios grupos da oposição que convocaram o protesto. Carros de combate do Exército estão posicionados no começo e no final da ponte, algo sem precedentes desde que explodiram os protestos contra Mubarak. Nos últimos dias, os blindados se encontravam mais próximos à praça Tahrir. Também há alambrados no acesso ao centro, onde os soldados pedem a identificação das pessoas e checam homens e mulheres separadamente, o que resultou em longas filas de manifestantes.
O ambiente no início do dia era tenso, devido ao temor de que os partidários de Mubarak pudessem tentar novamente entrar no lugar. O controle do Exército, porém, parece bastante forte e difícil de ser ultrapassado. "Não temos medo. Estamos bem protegidos", disse uma das manifestantes da oposição, Tina Shabri.
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