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PM que tirou bebê ainda com placenta de água suja no RJ se diz 'recompensado'

PM que tirou bebê ainda com placenta de água suja no RJ se diz 'recompensado'

Redação

17/02/2011 - 20h47
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"A gente se sente recompensado de tirar o bebê com vida daquele lugar", resumiu o cabo Luciano de Oliveira Andrade, de 32 anos, que resgatou um recém-nascido de um valão de Queimados, na Baixada Fluminense, nesta quinta-feira (17), com a ajuda do cabo Leandro da Rocha Martins, 31. Os dois policiais militares do 24º BPM (Queimados) ainda custam a acreditar no que aconteceu nesta manhã.

"Naquela hora você não pensa em mais nada, só em levar ele dali"
Cabo Luciano Andrade, do 24º BPM (Queimados)

Segundo o cabo Luciano, os PMs e um vizinho conseguiram resgatar o bebê na manhã desta quinta, após serem chamados por volta das 8h por uma vizinha que teria visto a criança dentro do valão. "Ficamos felizes em saber que o bebê está bem, sob cuidados médicos, porque ele deve ter passado várias horas, a madrugada dentro daquela água suja", disse o PM.

Ao se lembrar dos momentos do resgate, o policial se emociona. "Ficamos andando de um lado para o outro, tentando avistar o bebê que a vizinha disse ter visto por perto, e nada. Uns 15 metros a frente, a gente escutou o choro da criança e corremos para resgatá-la. Ela chorava muito e estava presa naquela sujeira. Foi um galho de árvore que segurou o bebê naquela correnteza", contou.

"Naquela hora você não pensa em mais nada, só em levar ele dali. Ele estava dentro de um saco plástico ainda com placenta e o cordão umbilical. Uma vizinha correu com uma toalha e enrolamos a criança para levá-la para o hospital", disse o cabo Luciano, que está há quase 9 anos na Polícia Militar, mas nunca passou por "nada parecido com isso". "Nem eu, nem o cabo Leandro", completou o cabo Luciano sobre o colega que está há 9 anos na corporação.

'Guerreiro'
A criança foi socorrida com vida e levada para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do município. Segundo a polícia, o recém-nascido foi atirado num valão no bairro Ponte Preta.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Nova Iguaçu, o bebê está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Maternidade Mariana Bulhões e seu quadro saúde é instável, já que ele respira com o auxílio de aparelhos.

A Secretaria informou também que o recém-nascido pesa 2,240 kg, passou por exames e segue em observação, se alimentando apenas de soro. Os médicos estão otimistas e funcionários do hospital chamam o bebê de "guerreiro", ainda segundo a assessoria da Secretaria.

Polícia investiga o caso
A polícia esteve no local onde o bebê foi resgatado para colher pistas e informações que possam levar a identificar a mãe da criança. De acordo com o delegado Niandro Ferreira Lima, titular da 55ª DP (Queimados), a suspeita é de que ela more perto da ponte de onde o recém-nascido foi jogado. "Estive no local e tem trilha de sangue perto da ponte, mas ela se perde em determinada distância. Conversamos com alguns moradores e acreditamos que a pessoa seja da própria redondeza e que o parto tenha sido feito em casa", disse o delegado.

Ainda de acordo com o titular da 55ª DP, na sexta-feira (18) os moradores começarão a ser ouvidos na delegacia. "O mais importante é que os moradores prestem depoimento para ajudar a encontrar essa mulher", ressaltou o delegado, acrescentando que ela poderá responder por tentativa de homicídio qualificado, cuja pena varia de 12 a 30 anos de prisão.

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