Trípoli, 17 fev (EFE).- Os protestos convocadas para esta quinta-feira contra o regime do líder líbio, Muammar Kadafi, deixaram ao menos seis mortos na cidade de Benghazi, segundo veículos opositores no exterior, embora as autoridades do país tenham falado em duas mortes nos protestos de quarta-feira.
Em um país hermético como a Líbia, é difícil confirmar o número exato de vítimas produzidas pelos protestos, que foram especialmente violentos em Benghazi e em Al Bayda, perto da fronteira com o Egito.
Segundo "Libya Alyoum" e "Al Manara", dois meios de comunicação eletrônicos opositores que têm sede em Londres, em Benghazi os enfrentamentos entre manifestantes e forças policiais deixaram seis mortos e 35 feridos.
Em Al Bayda, dois manifestantes morreram e vários ficaram feridos na quarta-feira, afirmou a edição digital do jornal líbio "Quryna", pertencente ao grupo de comunicação de Seif el Islam, um dos filhos de Kadafi.
O veículo afirmou que os incidentes se produziram devido aos protestos de proprietários de várias lojas do mercado da cidade, depois que a Polícia local fechou alguns estabelecimentos em virtude de "um procedimento administrativo habitual".
A mesma fonte revelou que em Alzentan, a 145 quilômetros ao sudoeste de Trípoli, foram registrados violentos enfrentamentos que deixaram uma delegacia de Polícia, o tribunal da cidade e a sede da Guarda de Segurança incendiados.
Segundo o veículo, os distúrbios nessa localidade não provocaram mortes, mas deixaram alguns feridos e vários detidos, entre eles dois tunisianos de Gafsa, no centro da Tunísia e fronteiriça com a Líbia.
As emissoras árabes "Al Jazeera" e "Al Arabiya" elevaram para 14 o número de mortos em todo o país nas últimas 48 horas e asseguraram que em Benghazi as forças policiais utilizaram fogo para dispersar os manifestantes.
Outras organizações de direitos humanos ocidentais como a Human Right Solidarity, com sede em Genebra, falaram em 13 mortos e dezenas de feridos e asseguraram também que as forças de segurança atiraram contra os manifestantes.
Paralelamente, milhares de pessoas fizeram manifestações em várias cidades do país a favor do regime e gritaram palavras em defesa do líder líbio.
Em Trípoli, centenas de pessoas se concentraram na Praça Verde, em apoio a Kadafi, enquanto dezenas de automóveis com bandeiras verdes, símbolo do sistema que rege no país, circulavam pela capital, segundo constatou a Efe.
As redes sociais convocaram um protesto contra o regime na Praça Verde, que acabou não acontecendo.
Os manifestantes, principalmente funcionários, policiais e militares, gritaram palavras de apoio ao Governo e à luta contra a corrupção na administração pública.
Vários helicópteros sobrevoaram o centro da capital, onde os funcionários de algumas empresas disseram à Efe que várias escolas ficaram fecharam para que os alunos pudessem participar das manifestações de apoio a Kadafi na praça Verde.
Na quarta-feira, cerca de 15 mil pessoas se reuniram durante a inauguração de um estádio de futebol na capital para expressar seu apoio ao líder líbio.
A agência oficial líbia "Jana" informou que milhares de partidários do regime fizeram manifestações nesta quinta-feira em várias cidades do país para expressar "sua eterna unidade com o líder da revolução".
Kadafi, o líder árabe que está há mais tempo no poder, completou 41 anos à frente da Líbia em setembro do ano passado, desde que em 1969 assumiu o Governo através de um golpe de Estado.