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Aquidauana e Anastácio enfrentam a maior enchente em 21 anos

Aquidauana e Anastácio enfrentam a maior enchente em 21 anos

Redação

05/03/2011 - 08h15
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Os municípios de Aquidauana e Anastácio enfrentam a pior enchente dos últimos 21 anos. A água do Rio Aquidauana cobriu as cabeceiras das duas pontes de acesso a Aquidauana, que está isolada. Cerca de 40 homens do Exército auxiliaram na construção de uma passagem improvisada para pedestres, que se tornou o único caminho para chegar à cidade.

Cerca de 30 militares começaram, na madrugada de ontem, a retirar os pertences das famílias que tiveram de abandonar suas casas. Foram contabilizadas 149 famílias desabrigadas nas duas cidades (Aquidauana e Anastácio). O bairro Guanandi e o Centro de Aquidauana foram os mais afetados e a água chegou ao telhado de algumas residências.

Quatro veículos do Exército, dois caminhões e dois jipes, tratores, maquinário da prefeitura e dezenas de canoas particulares ajudaram a retirar os moradores e seus pertences.

 Resgate

Quando o nível do rio ultrapassou os 10 metros, medida máxima da régua que também foi coberta pela água, houve dificuldade para resgatar os moradores, pois não havia sequer coletes salva-vidas para todos. Até bambus serviam como remos para os militares atuarem na remoção. "A água chegou lá agora", disse a moradora Eliete de Paula Silva, de 33 anos, ao sair de casa. Ela concordou em deixar o imóvel por medo de que a filha, que sofre de paralisia, tivesse alguma crise e não conseguisse chegar ao hospital, mas, assim como muitas pessoas, temia que seus pertences fossem furtados.

O funileiro José Carlos Moraes de Oliveira, 43 anos, emprestou o barco de um amigo e ficou de prontidão fazendo rondas em casa para evitar saques. Os desabrigados foram levados para dois ginásios de escolas e duas igrejas. Entretanto, muitos ficaram nas casas de familiares. A secretária Sirlei Almira Vasques, 43 anos, hospedou-se com o marido e dois filhos no trabalho. "Me cederam um alojamento", detalha.

Já o funcionário público Agnaldo Neves Gregório, 40 anos, teve de procurar abrigo em uma escola. "Esperamos a água entrar primeiro, para depois sair de casa", disse. Ele acredita que poderá retornar à residência apenas daqui a uma semana, "se acabar a chuva". A estudante de pedagogia Márcia Cristina Galhardo, 42 anos, chegou a ir para a casa de uma sobrinha, que também alagou, e acabou ficando no abrigo da escola. "Sempre me hospedo lá, mas desta vez alagou também", conta.

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