A cada dia “nascem” 1,2 mil buracos em ruas e avenidas de Campo Grande. Para tapá-los, 15 equipes com 130 homens aplicam trezentas toneladas de asfalto quente, também diariamente, o que resulta um volume superior a dez toneladas por mês. Com tempo bom, em dias ensolarados ou nublados, cada equipe dá conta de 80 buracos em média.
No final do mês os buracos totalizam 36 mil.
No período chuvoso a média diária dobra para 160, computando-se o centro e a periferia da capital, ou seja, apareceram 1,2 mil novos buracos, somando 2,4 mil.
Segundo o engenheiro civil Sylvio Cesco, chefe da Divisão de Manutenção de Vias da Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação, quando chove o serviço perde a qualidade. “Não é aconselhável fazê-lo, mas a gente aplica o asfalto para evitar acidentes de trânsito; é o caso do cruzamento da Rua 14 de Julho com a Avenida Afonso Pena”, explicou. “O buraco é tapado, mas o serviço terá vida útil menor do que aquele feito em condições ideais”.
Estudos da Divisão revelam que o asfalto campo-grandense geralmente tem vida útil de cinco anos, no entanto, em algumas regiões da cidade ele envelheceu há décadas: o Coophavila tem 30 anos, o do Bairro José Abrão 20, o central 30, o da Rua Antonio Maria Coelho 30 também.
Tapa um aqui, aparece outro ali
O ritmo está mais ou menos assim: tapa um aqui, aparece outro ali. Sobram pontos críticos. Na Rua 26 de Agosto, esquina com a Rua 13 de Maio, por exemplo, a circulação dos “borrachudos” exigiu da prefeitura a construção de um ponto de ônibus de concreto, diferente dos demais, por causa do desgaste do asfalto. Ele mede 3m por 40m e será inaugurado na próxima segunda-feira.
“Mas é impossível construir ponto com essa qualificação em todos os lugares onde eles são necessários”, explica Cesco. Por uma simples razão de custo: a obra sai quatro vezes mais cara.
A periferia terá que esperar um pouco mais até que sejam concluídos os serviços de tapas-buracos em toda zona central e nas principais avenidas.
Rotina
Às 7h ele já despacha. Cesco passa os locais de atividades para os encarregados de 15 equipes com 130 homens. Escaladas a cada manhã, elas saem para uma jornada exaustiva que é interrompida apenas pelas duas horas de almoço e só termina entre 18h e 19h.
Este mês, depois de um período chuvoso que durou mais de uma semana, a deterioração da pavimentação antiga e o surgimento de novas fendas no asfalto obrigaram a divisão a refazer sua rotina. Além da jornada regular de trabalho, essa frente de trabalho iniciada segunda-feira deve durar até o final deste mês.
Na primeira fase dessa recuperação os serviços são feitos na zona central e nas principais vias de acesso aos bairros. “Todas as áreas sofríveis serão atendidas”, ele garante. Em seguida as equipes irão às vias secundárias, já no início de abril próximo.
A maior parte dos integrantes das equipes é formada por mão de obra terceirizada. As equipes acumularam sucessivos desgastes nesses primeiros três meses de 2011, admite Cesco. “Após as chuvas e em vários dias tivemos que fazer tudo outra vez”, lembra. A massa betuminosa “usinada” a 70 graus perde a eficácia quando molhada antes de assentar-se.
Administrar buracos foge do modus operandi das demais secretarias. É como administrar a saúde pública, cujos laboratórios, postos e unidades hospitalares estão sempre cheios, porque doenças e acidentes sempre existirão. Nas ruas, os buracos sempre existirão – pelo desgaste natural, pelo excesso de peso de grandes veículos ou pelo excesso de chuvas, como ocorreu este mês.