Ao mesmo tempo em que Barack Obama visitava o Brasil disposto a fazer lobby pelos caças F-18 americanos na bilionária concorrência para a modernização da Força Aérea Brasileira, o principal rival dos EUA, os supersônicos franceses Rafale, bombardeavam as tropas de Muamar Kadafi na Líbia.
Obama concordou com os ataques quando estava a sós com Dilma Rousseff, na manhã de ontem, no Palácio do Planalto. Avisado por um bilhete de um assessor da urgência de uma reposta das forças aliadas, Obama autorizou a participação dos EUA nas operações de guerra.
Os ataques dos Rafale ocorrem em um momento em que os franceses perdem protagonismo na disputa da FAB. O Rafale já vem sendo usado no Afeganistão, mas seu emprego na Líbia pode servir como instrumento de propaganda, já que os combates ali estão sob os holofotes da mídia, que tem dado pouca cobertura ao combate contra os talibãs.
O emprego deles na Líbia também serve para esvaziar as acusações de que os Rafale não foram testados em combate, uma clara desvantagem diante da eficácia bélica dos F-18.
Nicholas Sarkozy não negocia os caças da Dassault apenas com o Brasil. Índia e Emirados Árabes também estão interessados nas máquinas de guerra. Os Emirados Árabes, aliás, estavam prestes a fechar negócio em fevereiro, mas o acerto foi adiado justamente por causa do entrevero em território líbio.
Cerca de 20 aviões militares franceses participam das operações desta tarde. O porta-aviões Charles de Gaulle é quem transporta os Rafale, que segundo o especialista em assuntos militares Nelson Düring é indicado para esse tipo de operação por conta dos equipamentos de reconhecimento, como sensores de visão térmica e mísseis de precisão, o que poderia ser usado para fazer uma linha de separação entre os rebeldes e as tropas pró-Kadafi.
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