Cidades

acidente em Ponta Porã

Médico que omitiu socorro estaria com carro do pai que é vice-prefeito

Médico que omitiu socorro estaria com carro do pai que é vice-prefeito

Redação

16/05/2011 - 00h02
Notícia sem imagem

O motorista que atropelou o entregador de jornais Emerson Aparecido Fernandes de Abreu, 36 anos, é o médico Rodrigo Corrêa Campos, 28 anos, que deverá ser indiciado pela polícia por omissão de socorro. O acidente ocorreu na manhã de sábado (14), na Rua Bahia, em Campo Grande, quando a vítima – que está internada em estado grave na Santa Casa – trafegava com sua motocicleta iniciando o trabalho do dia. De acordo com testemunhas, Rodrigo estava visivelmente alcoolizado.

A polícia vai apurar também se a caminhonete S-10, de cor preta e placa HSJ-3360, seria do pai de Rodrigo, o vice-prefeito de Ponta Porá, Eduardo Esgaib Campos. Vai investigar ainda se ele é o homem que também esteve no local do acidente e exigindo que a chave do carro – recolhido por uma das testemunhas para evitar a fuga de Rodrigo – fosse devolvida, sem sucesso. O veículo está recolhido no pátio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/MS).

Testemunhas disseram à imprensa que logo depois de atropelar o trabalhador e arrastá-lo por mais de 100 metros, o médico tentou evadir-se do local dando ré na caminhonete mas foi impedido por algumas pessoas, dentre elas alguns moradores das redondezas. Ele então fez ligações do celular e conseguiu que uma mulher o auxiliasse a fugir do local.

Diante da tentativa de algumas pessoas também impedi-la de deixar o local, a mulher fugiu com o médico dando ré no veículo.

A vítima foi socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) que coincidentemente passava pela Rua Bahia na hora do acidente.

Omissão de socorro é crime previsto no Código Penal. Diz no artigo 35:  “Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública: Pena - detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.- A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte”.

O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM/MS) também deverá se pronunciar a respeito pois, embora não estivesse no exercício da profissão, Rodrigo deixou de prestar assistência à sua própria vítima. 

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