A Corregedoria de Polícia deve investigar a versão do policial do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras), Walter Hugney Silva Gomes, que matou na madrugada de ontem (29) Leandro da Silva Pinheiro, de 28 anos, e baleou Leandro Oliveira Silva, de 21 anos, em suposta tentativa de assalto, na Coophavila II, em Campo Grande, região da saída para Sidrolândia. Essa é a posição manifestada, durante velório, por alguns dos familiares da vítima.
Eles observaram que há pontos que necessitam de melhor esclarecimento. Algumas pessoas questionam a lógica de duas pessoas tentar um assalto numa região em que são bastante conhecidas (o Leandro morto e o sobrevivente tem endereço na Rua do Cabo, Coophavila II, a duas quadras, aproximadamente, do local da suposta tentativa de assalto).
Outro ponto é que o lugar indicado para ocorrência está a cerca de 50 metros do posto da Polícia Militar, trecho movimentado do bairro, ponto ilógico para um assalto. A arma, que seria de propriedade de Leandro Oliveira, estaria dentro de um saco.
O caso
O policial civil Walter Hugney Silva Gomes, investigador do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras) alegou ter reagido a uma manobra de assalto. Leandro da Silva morreu , enquanto Leandro de Oliveira , também baleado, acabou sendo preso durante a fuga, por uma equipe da Polícia Militar.
Segundo Walter Hugney relatou ao plantão policial, ele seguia em seu veículo, um Gol preto, pela Rua do Porto, na Coophavila II, quando percebeu que estava sendo seguido por duas pessoas em uma motocicleta. Relatou, ainda, que a moto ultrapassou seu carro e parou junto a uma árvore. Ato contínuo, o policial teria percebido que a placa da moto estava encoberta. Em seguida, a dupla aproximou-se de seu carro, já no cruzamento com a Avenida Marinha, e devido à sua experiência policial concluiu que os dois suspeitos tinham a intenção de assaltá-lo.
Conforme o boletim de ocorrência registrado sobre o caso, foi nesse momento que o policial desceu do automóvel e abordou o motociclista e seu acompanhante, que tentava aproximar-se. Ainda conforme o registro, o investigador viu o garupa, Leandro da Silva Pinheiro, sacar uma arma tipo espingarda e por isso também sacou sua pistola ponto 40 e fez os disparos.
Leandro Pinheiro foi atingido pelos tiros e morreu no local. Com ele foi apreendida, de acordo com a polícia, uma espingarda de calibre 12 com dois cartuchos intactos. O outro envolvido, Leandro Oliveira Silva, de 21 anos, também foi atingido, mas conseguiu fugir na moto, uma Honda CB 300. Ele foi capturado em seguida por policiais militares, na Rua Pastor Virgílio de Farias, na Vila Kelly (bairro vizinho à Coophavila II) e autuado em flagrante por tentativa de roubo qualificado. Com Leandro Oliveira foram encontrados mais dois cartuchos intactos de calibre 12. Atingido por três disparos, ele permanece internado na Santa Casa, sob escolta policial.
De acordo com a Polícia, Leandro Oliveira tem passagens pela Polícia desde que era adolescente e chegou a cumprir medida socioeducativa em Unidade Educacional de Internação (Unei) em 2006. Em seu histórico constam os crimes de disparo de arma de fogo em julho de 2006, moeda falsa em abril do mesmo ano, ameaça em março de 2007, tentativa de furto em outubro de 2007, dano em julho de 2009, e vias de fato em março deste ano. Já Leandro Pinheiro teria um registro de tentativa de furto em 2007.