O senador sul-mato-grossense Waldemir Moka (PMDB) travou duro embate com a presidente Dilma Rousseff sobre as mudanças no Código Florestal em almoço da bancada do PMDB no Senado Federal. De acordo com o Jornal O Globo, os dois chegaram a bater boca. Moka, por sua vez, afastou qualquer mal-estar com a presidente e disse só ter esclarecido alguns pontos do Código Florestal. Ontem, ele passou o dia em viagem pelo interior do Estado.
No mesmo almoço, a presidente também teria sido contestada pelo relator da matéria nas comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Agricultura, senador Luiz Henrique (PMDB-SC).
No diálogo, os dois insistiram com a presidente que o texto aprovado na Câmara não significa anistia a desmatadores, em resposta a ameaçã de Dilma no sentido de recorrer ao veto, caso a emenda 164, que trata de anistia não seja alterada.
"A presidente disse que não é nenhuma fundamentalista ambiental, mas reiterou que vai vetar qualquer anistia dada a desmatadores", confirmou Moka, em entrevista ao Globo.
De acordo com o jornal, ao introduzir o assunto, durante o almoço com a bancada do PMDB no Senado, Dilma destrinchou os 11 pontos que o governo pretende alterar. Ela foi contestada ponto por ponto por Moka e Luiz Henrique.
Dilma afirmou: "entendo que o Brasil é uma potência agrícola, mas tenho uma preocupação com a comunidade internacional. Tenho um compromisso de combater o desmatamento". Moka, por sua vez, rebateu com o argumento que "não há anistia a desmatadores no texto do Aldo, senhora presidente! Se alguém me provar isso, sou o primeiro a votar contra".
A polêmica emenda 164 aprovada contra a orientação do governo diz: "supressão de vegetação (desmatamento) em Área de Preservação Permanente e a manutenção de atividades consolidadas até 22 de julho de 2008 poderá acontecer em caso de utilidade pública, interesse social, baixo impacto ambiental, bem como nas atividades agrossilvopastoris (lavoura e pecuária), ecoturismo e turismo rural."
Conversa tranquila
Ontem, por telefone, Moka disse ao Correio do Estado que a conversa com a presidente foi "tranquila", ao contrário do informado pelo Jornal O Globo. "Foi o único órgão de imprensa a noticiar o assunto de forma deturpada", declarou.
Segundo o senador, ele fez algumas colocações. "Expliquei que não existe anistia para quem desmatou, mas um plano de regularização, que consiste na recuperação das áreas desmatadas para se livrar das multas", relatou. "E tive a impressão que a presidente estava ouvindo isso pela primeira vez", completou.
Ainda de acordo com Moka, a conversa com Dilma foi tão produtiva que o senador Jorge Viana (PT-AC), relator do Código Florestal na Comissão de Meio Ambiente, o convidou para intermediar a discussão entre as comissões. Além disso, ele teria recebido telefonema do vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) para lhe parabenizar pela intervenção na reunião de Dilma com o senadores do PMDB.