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Ômega-3 é descartado para combater arritmia cardíaca

Ômega-3 é descartado para combater arritmia cardíaca

Redação

05/06/2011 - 13h04
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A comunidade científica tem se entusiasmado, em anos recentes, com a descoberta das propriedades médicas do ômega-3, um ácido graxo comumente encontrado em peixes.

Sua ação antiinflamatória, antioxidante e estabilizadora da membrana celular é conhecida, o que levava os médicos a acreditar que esse nutriente também pudesse suprimir uma condição chamada fibrilação atrial, um distúrbio do ritmo cardíaco bem comum, mas que ainda não possui tratamento eficiente.

No entanto, uma pesquisa recentemente publicada na renomada revista Journal of the American Medical Association (JAMA) questiona o valor dessa substância para auxílio no tratamento desse problema.

O estudo foi realizado pela equipe do cardiologista Peter R. Kowey, chefe da Divisão de Doenças Cardiovasculares no Hospital Lankenau Main Line Health System, presidente do Main Line Health Heart Center, na Filadélfia, Pensilvânia, e professor de medicina e de farmacologia clínica na faculdade médica da Thomas Jefferson University, Philadelphia. O especialista já liderou o desenvolvimento de vários medicamentos anti-arrítmicos e dispositivos antitaquicardia, e sua última pesquisa contou com o apoio do Instituto Canadense de Pesquisa em Saúde e de outros centros.

Arritmia cardíaca é a alteração no ritmo de contração da musculatura do coração, ocorrência que prejudica a distribuição do sangue pelo corpo.

De acordo com a intensidade, essa disfunção pode fazer com que esse órgão não tenha uma contração suficientemente forte para distribuir o sangue pelo o corpo e, não raramente, leva a pessoa à morte.

As arritmias cardíacas podem ser classificadas de diversas formas, dependendo de características como frequência, mecanismo de formação, local de origem etc.

A fibrilação auricular ou atrial (FA) é uma arritmia muito comum e pode ser de três tipos: paroxística, que apresenta episódios de arritmia que se resolvem espontaneamente; persistente, que, apesar de ter uma duração prolongada, também se resolve espontaneamente, e a permanente, que ocorre quando não há retorno ao ritmo normal.

As medicações disponíveis hoje no mercado não são suficientes para sanar completamente o problema, o que torna seu tratamento um constante desafio. Por isso, novas abordagens terapêuticas representam sempre uma possibilidade de solução.

Há muitas evidências circunstanciais que apontam os efeitos potencialmente úteis do Omega-3 no tratamento da fibrilação atrial. As gorduras ricas nesse nutriente são encontradas, principalmente, na carne do peixe.

Como o óleo desse alimento é natural, além de ser comum na dieta e não apresentar efeitos colaterais, se consumido moderadamente, qualquer benefício que a substância pudesse trazer para o tratamento dessa arritmia seria extremamente importante.

Muitas pesquisas já foram realizadas em busca de provas específicas acerca dos possíveis benefícios do ômega-3 no tratamento de fibrilação atrial, mas poucas seguiram protocolos de avaliação rigorosos, que assegurem a confiabilidade dos resultados. Equívocos sobre a utilização de um nutriente, bem como quanto aos seus reais benefícios, podem ser evitados quando utilizam metodologias com estudo clínico randomizado (ECR) e o duplo-cego, por exemplo.

O estudo clínico randomizado (ECR) consiste em uma das ferramentas mais eficazes para a obtenção de evidências para os cuidados com a saúde e utiliza-se da comparação entre duas ou mais intervenções controladas pelos pesquisadores, aplicadas de forma aleatória em um grupo de participantes.

Já duplo-cego é um estudo onde nem paciente nem pesquisador sabem o que está sendo utilizado como variável, sendo que essas informações só são repassadas ao examinador ao final da pesquisa.

De acordo com o último estudo publicado, do total dos 663 pacientes avaliados, com idade média de 60 anos, 82% apresentavam fibrilação atrial, enquanto 18% eram portadores do tipo persistente.

No primeiro ponto de comparação, no grupo paroxístico, 48% dos pacientes que receberam placebo apresentaram novos episódios, contra 53% dos que receberam ômega-3.

Já nos pacientes com o tipo persistente da doença, 33% dos que receberam o placebo tiveram novos episódios. Já no grupo que recebeu o ômega-3, 50% apresentaram recorrência.

Ao contrário de estudos anteriores, o conduzido por Kowey e colegas respeitou e seguiu todos os métodos e passos necessários para uma pesquisa com resultados confiáveis, que demonstraram a ineficiência do ômega-3 como auxiliar no tratamento de fibrilação.

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