O conselho de sentença da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande está reunido nesta manhã, desde às 8 horas, para a sessão de julgamento do ex-procurador de Justiça Carlos Alberto Zeolla. O advogado de defesa do réu, Ricardo Trad, pede redução de 2/3 da pena, que pode chegar a 13 anos de prisão, "Acredito que iremos conseguir reduzir a pena", diz o advogado.
Serão ouvidas 10 testemunhas no total, sendo 5 de acusação e 5 de defesa. Até o momento foram ouvidas 3 testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público.
A viúva da vítima falou que na época do crime, Zeolla estava brigado com o sobrinho, segundo ela "Zeolla matou o sobrinho porque no dia anterior, o sobrinho bateu no pai dele (Zeolla)", ela disse ainda que o motivo da discussão foi porque a empregada pegou o ventilador do sobrinho para poder resfriar a geladeira, quando o sobrinho viu e brigou com a empregada o avô dele chegou a dar um tapa no rosto do rapaz, que revidou empurrando o avô, que chegou a cair no chão. Após isso, ele vestiu uma camisa e saiu de casa.
O rapaz que na época do crime trabalhava para Zeolla contou que foi trabalhar normalmente naquele dia e que Zeolla pediu para ele pegar o carro e dirigir até onde ele mandasse, "Ele pediu para irmos até o endereço na rua Bahia" ele contou ainda que ficou mexendo no celular e Zeolla escutando música. A testemunha disse também que avistou um rapaz de bicicleta que seguia pela rua e depois só ouviu os disparos. "Depois ele pediu para irmos até a saída de Três Lagoas, perto de um riozinho. Ele (Zeolla) desceu do carro e jogou alguma coisa no barranco" e completa dizendo que só depois percebeu que Zella havia trocado de roupa. O ex-funcionário diz ainda que ele teria sido ameaçado com a seguinte frase, "Se você falar alguma coisa para alguém, você será o próximo".
Zeolla foi denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Ele foi também pronunciado pela entrega de veículo automotor a pessoa não habilitada.
O réu, que ganhou mais peso na prisão, mantém o olhar indiferente, não demonstra nenhum tipo de emoção. O julgamento deve durar o dia todo.
De acordo com os processo, no dia 3 de março de 2009, por volta das 8h20min, na rua Bahia, usando um revólver, o réu atirou em Cláudio Alexander Joaquim Zeolla, seu sobrinho, causando-lhe a morte.
Consta da denúncia que na manhã anterior à data do crime, a vítima teria agredido o pai de Zeolla, razão pela qual teria sido encaminhado a um hospital para atendimento médico. Ao saber dos fatos, pelo relato da denúncia, Zeolla resolveu vingar-se do sobrinho, procurando-a à noite sem encontrá-lo.
No dia do crime, Zeolla entregou a condução de seu veículo a um adolescente, que o levou ao local em que a vítima iria e lá a aguardou. Quando a vítima chegou, Zeolla desceu do carro com a arma e, aproveitando-se da distração da vítima, atirou matando o rapaz.
Sobre a forma de execução do crime, teria o denunciado agido por emboscada, pois surpreendeu a vítima ao aproximar-se por trás. O promotor de Justiça, por meio de sua defesa, chegou a alegar insanidade mental do ex-procurador, o que provocou a suspensão do processo criminal até sua resolução. Após isso, o processo principal continuou tramitando normalmente.
Tramite processual
O processo criminal chegou a ser suspenso porque foi instaurado incidente de insanidade mental de Zeolla. Em setembro do ano passado o perito especialista em psiquiatria forense, Guido Arturo Palomba, concluiu que Zeolla era de alta periculosidade social. Na avaliação do profissional o réu sofre de epilepsia comportamental, é semi-imputável e requer medida de segurança detentiva.
No início de maio, o mutirão carcerário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) manteve a prisão de Zeolla sob alegação de conveniência da instrução criminal. O réu também teve negado os pedidos de relaxamento de prisão, liberdade provisória e reclusão domiciliar porque estaria ameaçando uma testemunha, que poderá prestar depoimento em plenário na sessão de hoje.
Matéria atualizada às 09h25min para acréscimo de informações