A.S.G, hoje com 26 anos e depois de ter passado pelo menos cinco envolvido com a dependência química, prefere repetir, com frequência, uma a frase que diz ter ouvido certa vez de um pastor que o exortava a uma mudança de vida: “Nem sempre um pau que nasce torto morre torto”.
Segundo ele, tornar-se um drogada não significa, necessariamente, que a pessoa terá de morrer de uma overdose, nas mãos de traficantes ou mesmo em confrontos com a polícia, pois existe a chance de recuperação e de volta ao convívio familiar (e social), principalmente quando estão presentes oportunidades de recomeço. “Mas para que isso aconteça o apoio no pós-tratamento é fundamental”, afirma.
Longe das drogas há quatro anos, A.S.G. trabalha e estuda, além de cultivar a sua espiritualidade (que também considera essencial) frequentando regularmente uma igreja evangélica. Para ele, o apoio dos familiares foi extremamente importante na sua recuperação e reinserção na sociedade.
Avalia que a partir dessa ajuda, a luta para não retornar ao vício foi menos árdua e a busca de uma oportunidade deixou de ser algo frustrante, o que foi facilitado pela retomada dos estudos, ainda que com tanto tempo perdido.
Experiências como a de A.S.G. não são registradas com a frequência que se esperava na vida de um ex-dependente químico. Tão importante quanto o tratamento, o processo de reinserção social é apontado por especialistas do setor como fundamental na vida do ex-usuário de drogas, dela dependendo a manutenção das restaurações iniciadas nas comunidades terapêuticas (centros de recuperação), evitando-se as recaídas no vício.
Dada a importância e mesmo a complexidade desse processo, a Comissão Especial de Políticas Públicas de Combate às Drogas da Câmara dos Deputados inseriu esse tema nos seminários que vem sendo realizados em todos os estados e no Distrito Federal.
Em Mato Grosso do Sul, as discussões regionais, abordando os eixos prevenção, tratamento, reinserção social, repressão e legislação, aconteceram no último fim de semana, em Corumbá. Um seminário nacional, com as mesmas abordagens, está previsto para o mês de setembro, em Brasília.
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