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Índios acusam Funai de distribuir leite em pó vencido em aldeia de Dourados

Índios acusam Funai de distribuir leite em pó vencido em aldeia de Dourados

Redação

07/07/2011 - 14h38
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 A Funai (Fundação Nacional do Índio), de Dourados, está sendo acusada por índios da Aldeia Bo-roró, de ter distribuído dentro das cestas básicas, pacotes de leite em pó, com prazo de validade vencido.

Além do leite, o macarrão vence no próximo dia 19, o arroz e o óleo no próximo mês, já o feijão está embalado em sacos plásticos, sem a possibilidade de identificação do prazo de validade.

A família de Carlos Machado, índio terena, que mora na Aldeia Bororó, foi uma das que recebeu as cestas básicas. “Isso é um absurdo, nem bicho bebe um leite desse. Já está cheirado mau. Eu peguei o produto e levei até o médico do posto. Ele ficou horrorizado quando mostrei o saco aberto pelos ratos. O doutor disse para não bebermos porque pode-ríamos ficar doente”, desabafou o índio terena.

A agente de saúde Maria de Fátima acredita que vários indígenas já consumiram o produto por conta da necessidade que as famílias passam dentro da Reserva de Dourados. “Essa não é a primeira vez a comunidade reclama que as cestas estão vindo com produtos vencidos. Isso é um crime contra a saúde dos indígenas de Dourados”, declarou a profissional da saúde.

A reportagem foi até a sede regional da Funai, em Dourados, localizada na Avenida Marcelino Pires, em frente a Praça do Cinquentenário, e encontrou funcionários preparando uma nova remessa de cestas que serão entregues hoje (07) na Aldeia Jaguapiru, todas estavam com o leite em pó com prazo de validade vencido.

Os alimentos ficam estocado em um galpão no prédio do órgão, onde são montadas as cestas básicas para distribuição nas nove aldeias e assentamentos que são de responsabilidade da Funai de Dourados.

O leite em pó foi entregue ao órgão há cerca de dois meses, quando ainda falta um mês para o vencimento, no entanto o produto só começou a ser entregue na quarta-feira, quando já estava vencido há mais de 20 dias. 

A reportagem aguardou a chegada da chefe regional da Funai, Maria Aparecida Mendes para que prestasse esclarecimentos sobre o fato. Ela confirmou que sabia que o produto estava vencido e mesmo assim ordenou a entrega, porque recebeu a informação de uma pessoa de que o leite em pó poderia ser consumido até um mês após o vencimento.

Quanto ao fato de vários pacotes apresentarem furos causados por ratos, a chefe do órgão, confirmou que vários deles chegaram a ser retirados de cestas por terem sido comidos por ratos. “Nós pegamos os produtos abertos e doamos para criadores de porcos. A Funai procurou retirar todos os que tinham sido ruídos, inclusive fizemos a detetização do prédio, para acabarmos com os roedores”, explicou.

Para justificar as falhas, Maria Aparecida denunciou que a Funai de Dourados está sucateada e faltam funcionários para ajudar na separação dos alimentos. “O órgão não conta com o mínimo de estrutura. Para fazermos as separações, sempre precisamos contar com a ajuda de voluntários. Dá última vez o Exército nos apoiou”, disse a chefe regional.

Cobertores

Em pleno inverno, onde a queda de temperatura foi brusca, inclusive com registro de geada na região, a reportagem encontrou centenas de cobertores e mantas empilhadas no galpão da Funai. Maria Aparecida informou que já realizou entregas nas Aldeias Jaguapiru e Bororó e que não entregou o restante por falta de condições. 

(Com informações dO Progresso)

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