Sem pré-candidatos despontando na corrida pela sucessão da prefeitura da Capital, a oposição "bate cabeça" na tentativa de escolher um nome ideal para enfrentar o candidato governista na eleição de 2012. Líderes partidários têm consciência da necessidade de juntar forças para vencer o adversário, nem por isso abdicam do projeto de indicar o cabeça de chapa. Para uns, a solução estaria em pesquisas qualitativas e quantitativas. Em contrapartida, outros entendem que "eleição se ganha na campanha e não com institutos de pesquisa", por isso, defendem adiar a escolha do candidato e concentrar forças em "arrumar a casa".
O debate se acirrou com a proposta do ex-deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT) de candidatura única da oposição na sucessão do prefeito Nelsinho Trad (PMDB). A sugestão veio acompanhada de sua disposição de concorrer na eleição. Por isso, líderes do PT, PP, PSD e de outras agremiações afinadas com o projeto de disputar contra candidatos da base governista reforçaram suas pré-candidaturas.
Ontem, na Assembleia Legislativa, deputados sugeriram pesquisas qualitativas e quantitativas como fórmula para resolver o impasse na escolha do candidato. "O Dagoberto precisa levar em conta que tem outras candidaturas postas. Então, vamos colocar todos os nomes em uma lista e, por meio de pesquisas, deixar a população escolher o candidato", sugeriu o presidente regional do PP, deputado estadual Alcides Bernal.
Da mesma forma, avaliam líderes petistas. É o caso do senador Delcídio do Amaral e do deputado estadual Paulo Duarte. Para eles, o caminho do consenso é a escolha do candidato por meio de pesquisas qualitativas e quantitativas. Os parlamentares, no entanto, ressaltam a necessidade de "olhar para o lado". "Se for verdade a intenção do PSDB de lançar candidato próprio, podemos pulverizar, caso contrário, é melhor juntar forças", ponderou Duarte.
Palhaçada
O presidente da comissão provisória do PSD no Estado, ex-senador Antonio João Hugo Rodrigues, também defendeu cautela na discussão e atenção nos passos do concorrente, mas tem objeções sobre a estratégia de escolher o candidato com pesquisas. "Isso é uma palhaçada. Quer dizer que agora os institutos vão escolher os candidatos? Cadê a autonomia dos partidos?, questionou.
Para ele, eleição se ganha "com programa de governo e com o convencimento do eleitor". "Se os institutos escolhessem os candidatos muita gente boa não seria nada", comentou. Como exemplo, citou o governador André Puccinelli (PMDB), que, em 1996, começou a campanha a prefeito de Campo Grande com 3% das intenções de votos e terminou o pleito eleito. Outro exemplo citado por Antonio João foi sua campanha vitoriosa como suplente do senador Delcídio do Amaral (PT), em 2002. "Começamos com 1% dos votos contra 55% do adversário", lembrou.
Neste sentido, Antonio João avaliou como melhor alternativa de preparação rumo à eleição a organização interna dos partidos. "Cada um precisa se fortalecer, mobiliar a sua casa para, depois, ir conversar com o vizinho", comentou. No caso do PSD, ele informou estar concentrado em instalar o partido no Estado. "O (Alcides) Bernal tem a missão de unificar o PP e o PT precisa se ajustar e acabar de vez com divisão interna", completou.
Para ele, só não tem problema o PMDB: "lá quem decide é o André e todo mundo aceita, pois ele exerce muito bem o papel de comando".