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SAÚDE

Apenas 5% das pessoas sabem que são portadores de hepatite

Apenas 5% das pessoas sabem que são portadores de hepatite

Redação

28/07/2011 - 12h00
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Cerca de 400 milhões de pessoas no mundo são portadoras do vírus da hepatite B e aproximadamente 200 milhões estão infectadas pelo vírus do tipo C da doença.

No Brasil, estima-se que de 2 a 3 milhões de habitantes possuem o vírus da hepatite C, sendo que menos de 5% destes sabem que são portadores e somente 10 mil, em média, são tratados por ano.

Essa situação, segundo a coordenadora do programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Clarice de Souza Pinto, provoca um dos maiores problemas no enfrentamento à doença: o diagnóstico tardio.

Reverter esse quadro e identificar precocemente a enfermidade é uma das bandeiras do Dia Mundial da Luta Contra Hepatites Virais, comemorado hoje.

Segundo a SES, entre janeiro e junho deste ano, 85 pessoas foram diagnosticadas com o tipo B da doença em Mato Grosso do Sul - 74 delas em Campo Grande. No mesmo período do ano passado, foram registrados 37 casos na Capital - aumento de 100%.

Clarice explica que a maior incidência de hepatite B é entre os jovens, que são justamente a parte da população que menos toma medidas de prevenção contra as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). A principal via de transmissão do vírus da hepatite B é a relação sexual.

Clarice informa que houve crescimento recente de registros da hepatite tipo B entre os adolescentes, que muitas vezes tomam a primera dose da vacina, mas não voltam aos postos de saúde para completar as duas outras doses. “Os jovens começam a ter relações cada vez mais cedo e não se cuidam: não usam preservativo e nem mesmo se vacinam contra doenças como a hepatite”, explica.

A coordenadora destaca que a rede pública de saúde já tem à disposição a vacina contra a hepatite B para os recém-nascidos - dose que já faz parte do calendário de vacinação infantil. “Se o tratamento começa cedo, a criança cresce e já está imunizada contra a doença”.

No entanto, o serviço é recente e “a maioria dos adolescentes de hoje não tiveram a chance de ser vacinados quando nasceram, é por isso que é tão importante que se atentem para isso e comecem a se prevenir o quanto antes”. Na rede pública, a vacina gratuita é oferecida para o público de zero a 29 anos.

Somados todos os tipos de hepatite, foram registrados 137 casos em Campo Grande no primeiro semestre deste ano. No mesmo período de 2010, foram 93 confirmações de hepatite A, B e C - crescimento de 47%. Durante todo o ano passado, foram 257 pessoas vítimas da doença na Capital. Em todo Mato Grosso do sul foram 446 casos confirmados, dos tipos B e C.

Transplantes
Os quatro tipos de hepatite - A, B, C e D - desencadeiam um quadro de cirrose, que pode desenvolver a falência do fígado. A inutilização do órgão leva à necessidade do transplante, o que, segundo Clarice de Souza, “é bastante frequente”. “Já encaminhamos vários pacientes para outros Estados para realizarem transplantes de fígado”. Ela não soube, no entanto, informar quantas pessoas tiveram de fazer a cirurgia fora de Mato Grosso do Sul - a Santa Casa não faz mais esse procedimento.

Os principais sintomas da doença, quando aparecem, são o amarelamento da pele, icterícia, fezes esbranquiçadas e urina escura. Clarice afirma, no entanto, que esses sintomas aprecem em apenas 30% dos casos. “Os exames para identificação do vírus da hepatite deveria fazer parte do calendário de qualquer pessoa, tem que fazer parte do check-up geral”, analisa.

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